segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Teatro Infantil sobre a vida de Davi







Quero aproveitar e postar a peça de Davi, que escrevi para apresentarmos para as Crianças de Beira. É uma comédia, e com algumas expressões locais, portanto não estranhe se observar a ausencia do gerundio e algumas palavras em inglês, pois aqui é bastante comum.




Era uma vez, há muito, muito tempo atrás, em uma terra muito, distante, um jovenzinho chamado Davi.
Além de ser um rapaz muito bonito, com lindos cabelos vermelhos e olhos castanhos, era também muito corajoso. Apesar de ser ainda muito novo, trabalhava muito cuidando dos cabritinhos de seu pai em sítos bem distantes de sua casa.
Em um belo dia, enquanto brincava distraído com seus cabritos, foi surpreendido com o rugido alto de um forte leão vindo do meio do mato. Ele, assustado se escondeu no meio dos animaizinhos, quando de repente se lembrou que ele era um pastor e devia ser forte e cuidar de seus cabritos.
Então ele se levantou com toda a força que tinha e deixando o medo pra traz deu um salto em cima do leão feroz. Agarrou os cabelos do leão e o lançou para longe. Depois de muitos golpes, o leão que já não agüentava mais apanhar, caiu morto no chão.
Davi mal podia acreditar que ele tinha feito aquilo, e olhou orgulhoso para seus cabritinhos.
Depois de alguns dias, Davi aproveitou que todos os animais estavam dormindo e começou a cantar com sua linda voz. Ele estava tão envolvido na música, que nem imaginava o que tinha atrás dele. Foi então que percebeu uma respiração diferente, e bem devagar virou para traz para conferir, quando de repente se deparou com um urso big, big, big, com garras imensas e dentes afiados, olhando diretamente pra ele.
Mas Davi, logo se lembrou que a pouco tempo atrás havia matado um leão,e agora podia também matar um urso.
Mas desta vez não foi tão fácil, e Davi e o urso rolaram pelo capim, entre golpes e golpes.
Até que o urso cansado e envergonhado de tanto apanhar de um menino daquele tamanho, foi ficando fraco, até que perdeu toda a sua força e despencou no chão, mortinho, mortinho.
Depois disso, Davi agradeceu a Deus, pois ele sabia que era Deus que estava o guardando em todo esse tempo.
Naquele tempo, Saul, o rei de Israel estava sentado em seu trono, muito triste e preocupado, pois o seu exercito estava em guerra contra os Filisteus e não estavam conseguindo vencer.
Um dia, Davi foi até lá para levar comida para seus irmãos que faziam parte do exército também. Mas bem na hora que chegou, viu que do outro lado do campo estava vindo um gigante muuuuito forte. Ele tinha quase 3 metros de altura, e usava uma armadura pesada e brilhante. Quando estava bem perto do exército ele disse em alta voz: Quem de vocês será corajoso o bastante para lutar contra mim?
Os soldados quando viram aquilo, tremeram de medo e saíram correndo para bem longe dele. Davi, que estava por perto ficou surpreso pela covardia de seus irmãos, e correu até o rei Saul para dizer que queria lutar com aquele gigante.
Mas o Rei Saul disse a Davi: Você não passa de um gajo fraco. Como vai lutar com aquele gigante? Ele irá te Esmagar!!!
Mas Davi, cheio de coragem respondeu: O Senhor me livrou das garras do leão, e das garras do urso, me livrará também das mãos desse gigante filisteu. Eu sou um soldado de Cristo!
O rei Saul, convencido por Davi, o deixa ir lutar.
Davi então pega o seu cajado, escolhe 5 pedrinhas pelo caminho e lançando mão da sua funda se aproxima do grande e poderoso gigante.
Quando o gigante percebe que quem irá lutar contra ele será aquele pequenino, ele dá uma forte gargalhada, e diz: Eu sou um cão para vires até mim com pedras e paus? Hahahaha
Mas Davi, enquanto girava sua funda, responde também em ata voz: Olha aqui grandão, você vem até mim com lanças e escudo, mas eu vou até você pelo poder do Deus!!!
O rei estava em pé juntamente com todo o exército, atentos em cada detalhe da luta, quando de repente, Davi girando a sua funda, lança uma pedra, que voa muito alto e em grande velocidade, atingindo bem a testa do grande Gigante Golias.
Golias, que não esperava por isso, começa a se sentir tonto, e tonto, e tonto, até que se ouve o grande barulho de Golias sendo derrubado ao chão. Davi corre para perto e com a própria espada do gigante, corta a sua cabeça.
O rei Saul e o Exército, pulando de alegria correm ao encontro de Davi, fazendo ali uma grande festa.
Então o rei Saul tirando a sua coroa, passa sua coroa para Davi, fazendo com que agora o pequeno Davi fosse um grande Rei e Soldado de Cristo.
Todos da Peça cantam juntos, a música “Soldado de Cristo”.

Despedindo de Beira...












Passei as últimas semanas sem escrever, pois somente agora encontrei um tempinho pra mandar notícias, apesar da ansiedade que eu estava pra compartilhar tudo o que vivemos nesses dias. Tanta ansiedade que estou escrevendo no carro, enquanto viajamos pra Maputo.
Ontem finalizamos nosso trabalho em Beira, mas assumo que foi com o coração apertado, pois essas pessoas passaram a fazer parte de nossas vidas nesses meses que vivemos aqui.
Por isso tivemos dias cheios, nos despedindo de todos e finalizando nossos trabalhos.
No sábado, dia 18 de Outubro, fizemos uma grande despedida para as crianças do Bairro Shota. Foi além das nossas expectativas!! Entramos no bairro cantando uma música de soldados de Cristo, em posição de exército pra chamar a atenção e convidá-las pra festa, mas nem era preciso fazer tanto barulho, pois estávamos com o rosto pintado e isso já chamava atenção suficiente. Conforme elas ouviam nosso barulho iam se juntando à fila e marchando com a gente.
Começamos com brincadeiras pra envolvê-las, e depois de um período de músicas e danças, passamos para o teatro, no qual apresentamos a vida de Davi resumidamente através de uma comédia.
Depois tivemos que dividi-los em grupos pra fazermos a gincana e distribuir o lanche. Levamos cachorro quente, suco e doces, que fez muito sucesso, ainda mais porque soubemos que muitos nunca tinha comido salsicha, então foi uma novidade deliciosa eu creio...kk
Tirando alguns contra tempos, como um homem embriagado que me deixou brava, por tentar roubar o lanche das crianças e uma mulher que bateu na cabeça de seu filho na minha frente, o resto correu bem.
Foi um dia maravilhoso!! Despedimos-nos de uma forma bem alegre pra não deixar marcas nas crianças.
Depois foi a vez de nos despedirmos das mulheres, e pra elas fizemos um almoço muito especial em nossa casa. Cada uma trouxe um prato, e nós preparamos o frango e a carne. Foi ótimo comer com elas e nos despedir levando uma pequena palavra de agradecimento e uma lembrança pra cada uma.
Reservamos também uma tarde pra nos despedirmos do projeto de Capelania Hospitalar. Como são todos jovens, preparamos um cinema em casa, com pipoca suco e tudo mais. Assistimos o filme “Sete Vidas”, que conta a história de um homem que acidentalmente mata sete pessoas, inclusive sua noiva, e após o ocorrido resolve salvar a vida de outras sete, doando a sua. Um pouco triste, mas com muitos ensinamentos.
Depois de assistirmos o filme, foi o momento de passar a liderança do trabalho, pois eu estive liderando por esses meses, mas tenho certeza que terá uma continuidade e com muito mais alcance. Decidimos juntos que dois dos dez jovens estarão responsáveis por liderar o trabalho, e também irão continuar a confecção das pulseiras e brincos para ajudá-los com o dinheiro do transporte.
Tivemos também a despedida do Seminário Teológico, o qual lecionamos durante o tempo que estivemos aqui. Fizemos a despedida na praia, em uma manha.
Mas, uma das pessoas que mais me deixou triste ao me despedir foi a Rute. Ela e as outras crianças foram em casa um dia à noite apenas pra conversar, porque no dia anterior eu havia falado pra ela que eu estava indo embora e ela disse que tinha ido dormir sem comer por estar triste com a notícia. Disse que discutiu com Deus dizendo que ele estava tirando quem cuidava dela.
Não foi fácil ouvir aquilo, mas eu expliquei com muito cuidado, que a nossa vida é assim. Pessoas passam por nós o tempo todo, sendo que algumas deixam marcas boas, e outras nem tanto, mas que podemos aprender algo com cada uma delas e apesar de não serem eternas, devemos enxergá-las como um presente de Deus pelo tempo que estiveram conosco.
Ela entendeu, e no dia seguinte almoçou conosco, junto com as outras crianças. Foi um almoço simples, mas fiquei sabendo que eles comem apenas arroz no almoço, então creio que o nosso macarrão com atum fez sucesso...kkk
Depois de uma semana cheia como essa, finalizamos com “chave de ouro”. Tivemos no domingo o culto de despedida e também inauguração do novo Templo, que milagrosamente foi construído em dois meses. Foi bom ter a despedida em um dia tão alegre pra Igreja, pois assim não tivemos muito espaço pra tristeza de estarmos lhes deixando.
Creio que essa é a pior parte de ser missionária. Apegamos-nos tanto às pessoas, mas estamos constantemente tendo que nos despedir. Mas tenho certeza, que será impossível esquecer tudo o que eu e as meninas vivemos nesse país, e certamente essas pessoas irão ficar sempre em nossos pensamentos.
Ah, não posso deixar de agradecer a todos vocês que nos enviaram ofertas pra que realizássemos as despedidas. Nós que estamos aqui só podemos fazer o que fazemos, com a ajuda financeira e oração de vocês.
Irei passar ainda alguns dias em Maputo, capital de Moçambique, e só irei voltar no final do mês. Estarei mandando notícias...


Abraços!!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Notícias!!!





Olá queridos...

Já que estou a tanto tempo sem escrever, e muitas pessoas estão me perguntando sobre algumas coisas, queria atualizá-los para que nos ajudem em oração.
Creio que se lembram da pequena Rute. Bom, em uma das minhas viagens eu pude passar na cidade de Caia, onde seus pais moram, e lá deixei todas as informações sobre a família dela, para que um pastor local nos ajude a procurar. Pensamos que seria fácil, mas ainda não encontramos. Estamos esperançosos, pois assim que eles foram encontrados, vamos trazê-los para Beira, para que eles mesmos, busquem a filha.
Ela está bem, mas desde o dia em que eu vi o patrão batendo nela, e não escondi minha indignação, ela passou a vir poucas vezes em minha casa, pois segundo o que percebemos, ele tem medo de que ela me conte algo, e talvez tenha lhe proibido de me visitar. Ele também não a deixa ir a igreja comigo, pois segundo ele, ela tem que acordar as seis da manha e fazer o serviço da casa, mesmo sendo domingo.
Com isso, nossa relação ficou bem limitada, e o máximo que eu posso fazer é passar em sua casa para algumas conversas rápidas.
Tenho certeza de que essa situação irá mudar em breve, e ela poderá realizar o sonho de estar novamente ao lado dos pais. Sei que pra nós, brasileiros, parece estranho que os pais ainda não a tenham procurado, mas na cultura africana é comum que os filhos mais velhos ajudem os pais cuidando de irmãos mais novos como se fossem filhos. Mas a única coisa que os pais da Rute não sabem é que sua irmã morreu e que ela tem estado todos esses anos sozinha.

Mas mudando de assunto, o Projeto Hospitalar tem sido maravilhoso!! Ontem, devido a um falecimento na igreja, poucos jovens puderam ir ao Hospital, e por isso estávamos em apenas três. Mas a quantidade de pessoas não foi um empecilho pra fazermos todas as crianças da ala de desnutrição caírem na risada com a gente. Fizemos palhaçadas e cantamos muito. No final sempre nos separávamos pra orar com cada uma delas, e sei que cada minuto ali foi muito importante pra elas.
Quando estava faltando pouco tempo pra irmos embora, fomos em dois quartos de crianças queimadas, que sempre nos pedem as visitas. Eles riram tanto, que até uma família de mulçumanos que estava no quarto ao lado quis assistir e saber o que estávamos fazendo. É a parte mais difícil do hospital para as crianças, pois devido às queimaduras e feridas o cheiro é bem forte, mas naqueles momentos de tanta descontração, o cheiro pareceu nem existir.

Agora queria aproveitar para expor uma necessidade que teremos esse mês. Nós como equipe, planejamos uma festinha de despedida para as crianças do bairro onde trabalhamos, que são aproximadamente 150 crianças. Vamos fazer na tarde de domingo do dia 18 de Outubro, com uma grande gincana, músicas e teatro. Mas queríamos terminar o dia com cachorro quente, suco e alguns docinhos. Isso tudo irá custar cerca de 2000 Meticais, ou seja, 200 Reais.
Iremos também fazer uma despedida para as mulheres que discipulamos esse tempo, nesse mesmo bairro. Será no dia 20 de Outuubro, em nossa casa, pois são apenas 15 ou 20 mulheres. Vamos preparar um almoço, com refrigerante e uma pequena lembrancinha. Tudo ficará em 1200 Meticais, que equivalem a 120 reais.
Esse valor aqui é muuito, mas sei que se algumas pessoas nos ajudarem iremos conseguir. Se você tem o desejo de nos ajudar deposite na minha conta, mas não se esqueça de me avisar por e-mail ou por orkut que este valor é destinado ao projeto e não a mim.

Bradesco
Agência 1549
Conta Corrente 19548-0
e-mail: brunapinelli_777@hotmail.com
Orkut: Bruna Ferraz



Um grande abraço!! Aguardamos sua ajuda!!

Descansar em Deus


Queridos blogueiros...

Hoje queria começar me desculpando por ter ficado tanto tempo sem escrever. Mas existem alguns momentos em nossa vida que a inspiração parece simplesmente desaparecer. E é por isso que, mesmo vivendo tantas coisas especiais, eu não conseguia expressar tudo isso em palavras. Foi um momento de refletir e ouvir muito, e falar e escrever bem menos.
Creio que momentos assim são necessários em nossas vidas, pois em um mundo tão agitado e tão cheio de direções, somos obrigados a parar e refletir quando estamos em período de mudanças.
Eu particularmente estou vivendo uma fase de transição, em que meu trabalho em Moçambique está sendo finalizado para que uma nova fase se inicie. E diante disso tudo o meu grande temor era conciliar os meus sonhos com os sonhos de Deus.
Foi então que em um dia desses pude ouvir Deus falando comigo em I Co 3:16, que diz assim: “Não sabeis vós que sois templo de Deus e que o Espírito Santo habita em vós?”.
Eu já havia lido esse versículo por diversas vezes, mas nunca havia enxergado pelo ângulo que Deus me mostrara agora. O que Ele me dizia era:

Aquieta o seu coração, pois Eu sou o maior interessado em sua história, e você é apenas meu instrumento!!!

Foi um alívio poder ouvir isso e poder descansar...Nós podemos fazer planos e planos para nossas vidas, mas o único que pode dar a palavra final é o Deus Todo Poderoso.

Beijos pra todos!!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Projeto Hospitalar


Olá Pessoal...

Hoje estou passando por aqui apenas para dizer o quanto estou feliz com o que Deus tem feito através de nossas vidas no Projeto Hospitalar. Este Hospital é evitado por muitos moradores de Beira, justamente pela triste situação que a maioria dos internados se encontram, mas Deus tem nos dado forças para entrar lá, sem nos abalar com o que vemos.

A equipe cresceu rapidamente, e estamos com muitas idéias para melhorar o trabalho.

A introdução dos fantoches tem sido um sucesso, pois a mudança nos quartos é nítida quando passamos. As crianças acabam se esquecendo por poucos minutos de suas dores, e dão espaço para algumas risadinhas...é maravilhoso poder ser um agente de alegria para elas.

Mas desta vez, passamos por alguns quartos de adultos, e para nossa surpresa, amaram as músicas, mesmo sendo infantis, e até se levantaram para nos receber, pois disseram que éramos enviados por Deus. Foi lindo!!!

Oramos por muitas pessoas, mas duas me marcaram muito. Um bebê, que de um dia para o outro teve seu rosto inchado, e seus pais encontram-se muito preocupados com a situaçao. A mãe ficou emocionada com a visita e chorou muito pedindo oração.

A outra é a Bia, uma jovem que ficou cega recentemente. Sei que para Deus isso não é difícil e creio que ela voltará a enchergar.

Aqueles que quizerem ajudar, peço que nos ajudem em oração por essas pessoas.


Um grande abraço, e até a próxima!!!


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

História da pequena Rute...


Fui atraída pela triste história de uma menina de 15 anos, e queria compartilhar com vocês para que me ajudassem em oração.
Primeiramente, vou dar a ela o nome fictício de Rute. Meu contato com ela se iniciou logo que vim morar em Beira, e comecei a notar a casa ao lado do prédio onde moro. Uma casa pequena, muito simples, com algumas crianças, sendo uma delas a Rute, que estava sempre trabalhando. Sempre a via lavando roupas, lavando panelas, ou cuidando do bebê, independente da hora que fosse.
Aos poucos comecei a cumprimentá-la pelas manhãs, depois começamos a trocar algumas palavras, e quando percebi já estávamos criando intimidade o suficiente pra que eu perguntasse sobre sua vida.
Foi aí que entendi que ela era a empregada doméstica da família, e que morava com eles, já que sua família vive muito longe. Mas eu ainda não tinha me contentado com a história, pois sabia que havia algo a mais que ela queria me contar.
Os dias se passaram, e eu peguei malária, o que me fez ficar em casa por uma semana. Quando ela ficou sabendo, veio me visitar pela primeira vez, e trouxe um pacote de biscoito, toda intimidada. Aquilo me tocou muito, pois eu tinha certeza que diante do que ela ganha, aquele biscoito era um sacrifício pra ela, e percebi que ela via em mim uma amiga.
Alguns dias depois ela e uma amiga vieram novamente em minha casa, com a desculpa de nos ensinar um jogo. Mas, em um momento que ficamos sozinhas, comecei a perguntar a ela sobre sua família. Em meio a lágrimas ela me contou tudo.
Descobri que ela sempre morou com seus pais, que trabalhavam na machamba (plantação), e que sua irmã mais velha morava em Beira. Mas um dia ficaram sabendo que o esposo de sua irmã havia falecido e assim ela teve que vir para ajudar a irmã, apesar de ser uma criança de apenas oito anos.
Foi então que sua irmã recebeu a visita de uma feiticeira, que disse que ela iria morrer naquela noite, o que realmente aconteceu, de forma inexplicável. Com isso, a Rute, que ainda era muito novinha, teve que sair em busca de emprego, já que não tinha quem lhe ajudasse a voltar para casa.
A primeira casa que trabalhou foi muito maltratada, e então saiu para procurar outro emprego. Foi aí que encontrou a casa que trabalha atualmente, ao lado da minha.
Já faz sete anos que a Rute está tentando juntar dinheiro para ir ver seus pais, que segundo ela, nem sabem que a irmã morreu.
Fora o dinheiro da passagem, ela disse que quer também comprar roupas para sua família, e disse que só depois de ter conseguido tudo isso, poderá voltar para sua casa. Pra minha maior indignação, descobri que a passagem custa apenas 500 meticais, que é o equivalente a menos que 50 reais.
Isso sem falar, que seus pais, depois de sete anos, já podem ter se mudado, ou até morrido, o que lhe traz mais insegurança ainda.

Fiquei muito triste com isso, e percebi que essa menina sofrida, precisa, antes de qualquer coisa, conhecer a Jesus e seu amor por ela. Precisa ser curada, e depois, ser levada para seus pais, para contar sobre a morte da irmã.

Esta semana vou iniciar um discipulado com ela, e vou começar a estudar melhor o caso, pra ver como poderemos ajudá-la a voltar para casa.
Não acredito no acaso, e tenho certeza que se hoje conheci essa menina, é porque Deus tem algo pra vida dela. Creio em um Deus de milagres, e que com certeza pode transformar a vida de Rute.

Nos ajude em oração!! Estarei trazendo notícias com o tempo.



MALÁRIA...

Já havia se passado uma semana que havíamos voltado de Marromeu, quando eu acordei para um dia normal de trabalho, e por algum motivo que eu desconhecia, acordei com muita dor no corpo. Não me importei muito e saí junto com a equipe, para o bairro onde trabalhamos.
Era um dia quente, de sol, mas eu tremia de frio. Pensei que conforme começasse a andar iria melhorar, mas o frio só aumentava.
No meio do caminho percebi que minha pressão estava caindo, e comecei a perder a cor. Voltei pra casa pensando que era apenas um mal estar e que passaria no final do dia. Mas quanto mais as horas se passavam, mais sintomas apareciam. Comecei a ter dores de cabeça, dores no corpo e muita fraqueza.
Foi aí que entendi, que o que eu tinha era Malária. Certamente, em nossa viagem para Marromeu, fui picada pelo inseto da malária, e só agora estava sabendo que trazia esta lembrança indesejável de lá.
Fui ao médico, e realmente foi constatado que eu estava infectada. Comecei o tratamento, que durou quatro dias, com muitas dores, febre de 39°, e enjôos. A cada dia que se passava parecia que os sintomas pioravam.
Nestes dias meus pensamentos voavam constantemente ao Brasil, e acho que pela primeira vez pensei em voltar. Sentia falta da minha família em um momento tão difícil como esse.
Sei que isso é algo comum para os missionários, mas eu ainda sou um “aprendiz”...kkk...e isso foi muito difícil pra mim.
Como só conseguia ficar deitada, às vezes eu ligava a radio para me distrair e passar o tempo. E em um dos dias mais difíceis, me lembro que ouvi uma pregação, em que o pastor repetia por várias vezes a seguinte frase: “Os olhos do Senhor estão onde você está”.
Esta simples frase começou a entrar em meu coração e começou a me dar forças novamente. Comecei a trazer a memória, todos os momentos difíceis que já havia passado, e que Ele esteve comigo. Nunca estive só, mesmo tão longe de meu país.
E o mais interessante é que comecei a entender o porquê de estar passando por isso. Lembrei-me da pequena Lídia (história contada em postagens anteriores), que fervia em febre quando a vi pela primeira vez. Eu sabia que ela estava doente, mas eu não imaginava a dor que ela sentia, e isso sem falar nas centenas de outras pessoas que passam por isso nesse país, e agora posso entender o que sentem.
Mais uma vez constatei que o povo Moçambicano é um povo guerreiro, pois eu passei por isso com tantas condições e cuidados médicos, ao contrário do povo daqui que muitas vezes vence essa doença sem a metade do que eu tive. Passam sem reclamar, ou se abater, pois muitos precisam continuar trabalhando mesmo doentes.
Fico impressionada com a força que existe nesse povo!!!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Se não tiver amor...


Iniciamos esta semana as vistas com fantoches e músicas no Hospital. Foi uma experiência maravilhosa!!! Quando comentei com algumas pessoas sobre levar esse tipo de trabalho para dentro do hospital fui desmotivada por muitos, pois aqui nunca houve trabalho como este, e por isso soava como um insulto e desprezo para com o sofrimento daqueles que estão internados.


Mas eu tinha certeza que isso não era um sonho meu, e sim de Deus e por isso resolvi ousar e arriscar o nosso trabalho hospitalar.
Passei o dia em oração pela equipe, com muito medo de não sermos aceitos com os bonecos lá dentro.
Assim que chegamos fui direcionada por Deus para entrarmos na ala de desnutrição, a qual havia crianças bem fraquinhas e magrinhas. Não tivemos nenhum problema ao entrar, e até pelo contrário, pois as enfermeiras que nos receberam, só de ver os fantoches já começaram a rir e ficaram curiosas para saber o que iríamos fazer. O clima era aquele de hospital que todos conhecem. Mas parece que quando começamos a cantar um sentimento de paz invadiu aquele lugar e os rostinhos começaram a mudar, apesar de ter algumas crianças que tinham medo dos bichinhos.
Após cantar uma música, nós nos espalhávamos e íamos cada um em uma cama para orar e brincar com as crianças. E isso se repetia em todos os quartos. É difícil descrever o que eu sentia, pois foi uma das coisas mais lindas que já presenciei.
Infelizmente uma hora de visita passou voando e quando vimos já tínhamos que ir embora, mas as sementinhas ficaram, pois quando estávamos saindo ouvimos pessoas cantando o refrão da música que tínhamos cantado...


” Grande, tão grande,
Alto, tão alto,
Fundo, profundo,
É maior que o mundo,
Mas é pequeno,
Cabe lá dentro do coração de quem
se entrega ao Salvador...”



Estar em Moçambique tem sido como uma escola pra mim, pois a cada dia tenho recebido ensinamentos valiosos, que por vezes são aceitos e por vezes desprezados.
Dias após a visita no hospital, estava em casa descansando, quando ouvi o barulho da campainha tocar por várias vezes sem intervalo. Eu me levantei, nervosa, e quando abri a porta era um rapaz que olhava para o chão. Antes de ouvir o que ele tinha para dizer, eu já fui falando sem nenhuma paciência que ele não podia fazer aquilo, pois assim ele incomodava quem estava lá dentro. O rapaz levantou a cabeça, e eu fiquei envergonhada ao ver seus olhos brancos. Era um moço cego que estava apenas pedindo algo para comer.
Depois de ter entregado algo para ele comer e fechado a porta, percebi que Jesus queria me ensinar algo.


“E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres , e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, de nada valeria...” I Co 13:3


Tantas pessoas passam por nossas vidas, e ao invés de ver amor, cuidado, elas vêem desprezo, ou falta de paciência. Do que adianta as muitas obras se não existe amor ?

segunda-feira, 27 de julho de 2009

MARROMEU











Esta semana fizemos a tão esperada viagem para Marromeu. Um distrito de Sofala, onde foi realizada a conferência da Igreja Batista Renovada de Moçambique. Foi uma experiência única e sem dúvidas inesquecível para todos nós. Por isso vou escrever detalhadamente sobre cada dia, para que vocês blogueiros possam sentir um pouquinho dessa grande aventura.


Começamos a viagem no dia 22, em uma quarta-feira. Estávamos preparados para sair as cinco da manhã, mas de forma inexplicável, a gasolina de toda a cidade se esgotou, e por isso tivemos que buscar em uma cidade vizinha o que acabou atrasando um pouco nossa saída. Mas isso não foi o mais difícil, pois o mais complicado foi colocar mais de vinte pessoas e muita bagagem em um chapa (van) com capacidade para quinze pessoas apenas. Fomos apertando, apertando, e quando eu pensava que não caberia mais ninguém, eles ainda davam um jeitinho de entrar mais um. Foi engraçado, mas nada confortável...kkk
A viagem foi longa, com poucas paradas para pelo menos nos esticarmos às vezes. Pelo caminho, não havia restaurantes, lanchonetes, nada disso que os brasileiros estão acostumados na estrada, mas havia apenas vendedores ambulantes, que vendiam bananas, ovos cozidos, pães, e refrigerante. Sem falar na casa de banho (banheiro), que era apenas um cercadinho de palha e as necessidades eram feitas na própria terra.
Mas a viagem começou a se estender e quando percebemos já era noite. Éramos em três carros, mas justamente no momento que entramos em uma estrada de areia, nos perdemos de um deles. Continuamos pela estrada com a esperança de estarmos no caminho certo, mas como o carro estava muito pesado por estar suportando mais de vinte pessoas e todas as malas, acabamos atolando na areia, e nos perdemos do outro carro também que seguiu a viagem sem perceber que estávamos atolados.
Depois de termos todos descido do carro, afim de aliviar o peso, fiquei sabendo que aquela era uma região próxima de uma reserva e portanto com muitos leões. Ahhh, aquilo me aliviou muito, sabe. Saber que estava com o carro atolado, no meio do mato, sem nenhuma luz por perto e sabendo que pessoas já tinham sido atacadas por leões naquele trecho....muito aliviante..kkkk...
Mas nada nos aconteceu!!!! Graças a Deus conseguimos voltar para a estrada asfaltada e continuar a viagem por outro caminho. Depois de quase quinze horas de viagem chegamos a Marromeu uma pequena cidadezinha.
E o que mais me chamou a atenção nisso tudo foi a gratidão do povo moçambicano, pois em todo momento, mesmo apertados, com fome, frio, eles só cantavam e brincavam com a situação, mas nunca reclamavam de nada.
Chegamos bem tarde, e logo fomos encaminhados para a casa que iríamos ficar hospedados. Ficamos em uma pequena casa de pedra e cimento, mas muito confortável, tirando o frio que estávamos sentindo aqueles dias. Tivemos que nos habituar com a falta de energia elétrica, e as casas de banho (banheiros) de palha. Até tomar banho era diferente, pois era o famoso “banho de canequinha” atrás da casa.
Nos dias seguintes tivemos cultos muito alegres que duravam cerca de quatro ou cinco horas, com grupos corais, danças, pregação e momentos de oração.Tenho certeza que se fossem cultos para brasileiros estariam todos incomodados com a demora e com o frio...mas o povo moçambicano curtia cada momento e só saíam de seus lugares para dançar.
Fiquei surpresa ao saber que a maioria dos pastores das igrejas desta região foram discípulos diretos da Valnice Milhomens, a primeira missionária que esteve trabalhando em Moçambique e inclusive foi a única missionária a permanecer no país nos tempos da guerra, há anos atrás.
Aqui as comidas eram bem típicas. No mata bicho (café da manhã) comemos pães com maçamba (verduras) e mandioca com manteiga e chá. No almoço e jantar comíamos arroz, carne de cabrito, xima (creme feito com farinha de milho), feijão com coco, creme de couve com amendoim e outras coisas.
Em um dos dias tivemos a oportunidade de conhecer a Vila de Marromeu, que há anos atrás foi muito próspera pela produção de açúcar iniciada pelos portugueses. Até hoje encontramos também vestígios da guerra que ocorreu lá pelos tanques de guerra e aviões abandonados.
Outra coisa é o famoso Rio Zambeze, que passa por lá. Em um dos dias acordamos bem cedo para conhecer o dia a dia das mulheres que moram nesta região e todos os dias pela manhã vão ao rio para se banhar, lavar roupas e panelas. Fomos para ajudar a lavar as panelas, mas não resistimos e acabamos tomando banho ali mesmo, para evitar o banho de canequinha. Mas nem imaginávamos que aquele rio é famoso pelos muitos crocodilos, e que inclusive há alguns meses atrás a esposa de um pastor e seu filhinho haviam sido mortos por um destes crocodilos. Que perigo...kkk
No último dia da conferência eu levei uma palavra aos jovens, sobre “Jovens com iniciativa e criatividade”. Foi uma experiência ótima, fiz algumas dinâmicas e conversamos sobre Davi, um jovem que ao ansiar ser Rei teve iniciativa e atitudes ousadas, que o levaram a chegar ao trono.
Mas os dias passaram muito rápido, e logo chegamos no domingo. Para conhecer um outro lado da viagem resolvi voltar de comboio (trem). Para pegar um bom lugar tivemos que chegar as cinco da manhã, e mesmo assim eu quase fui esmagada pela multidão que tentava entrar ao mesmo tempo. O comboio só foi começar a andar depois de cinco horas parados, esperando. Já começamos bem né...kkk
Mas enfim, depois de começar a viagem foi só palhaçada. Era galo cantando, gente trocando fralda de bebê do meu lado, criança brigando, e tudo mais que vocês possam imaginar.

Adorei cada momento desta viagem, e amei conhecer pessoas tão especiais!!!

Beijo pra todos e até a próxima...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

...E os anjos o serviram...




Tenho procurado algo para escrever esses dias, e por mais que estejam acontecendo tantas coisas aqui, me via sem inspiração. E a única coisa que vinha em minha mente era uma palavra que recebi de Deus alguns meses antes de vir pra Moçambique.

“Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto... e, eis que chegaram os anjos, e o serviam.” MT 4.1-11

É incrível pensar que após quarenta dias no deserto, depois de passar fome, sede, frio e tudo mais, os anjos o serviram. Essa é uma parte da história que eu nunca havia parado pra analisar, e sem dúvidas a parte mais lida!!
E conforme os meses foram se passando, comecei a entender melhor ainda o que Deus queria me mostrar. Desde que algumas situações começaram a surgir em minha caminhada passei a entender o que é estar no deserto. Não é fácil, mas com certeza é necessário.
No início do mês uma das meninas da minha equipe ficou muito doente. Infelizmente teve que voltar para o Brasil, acompanhada de outra, já que não poderia ir sozinha.
De cinco passamos para três, e eu nem preciso dizer o quanto isso foi difícil pra nós, né.

Fora isso, outras coisinhas como a saudade da família começaram a me atingir, e quando eu pensei que não agüentaria mais....vieram os anjos!!!!
Fiquei encantada, pois no dia que estava mais triste recebi uma visita muito especial em casa. Alguns jovens daqui que estão nos dando muito apoio. E em uma simples visita, com muitas risadas, bolo e refrigerante, percebi claramente que os anjos me serviam.

É maravilhoso viver por Ele!!!

Ahhh, não posso deixar de contar sobre a visita do hospital. As aulas de capelania terminaram e assim pudemos iniciar as visitas. Foi muito bom!!!
Nos dividimos em duas equipes para visitar todos os quartos. No quarto que eu fui, haviam cerca de doze crianças e por isso acabei ficando apenas neste, pra poder dar atenção a todos. Oramos, brincamos, cantamos, e ouvimos muitos desabafos. Foi ótimo poder fazer parte da história de pessoas que precisam tanto.
Havia uma senhora que estava com o netinho, já que ele não tinha pai e nem mãe. Enquanto conversávamos, ela pediu meu número, e ontem já me ligou dizendo que estão em casa e querem uma visita lá. Vai ser ótimo poder acompanhá-los mais de perto.



Por enquanto é só...
Saudade de todos!! Amo vocês!!!

sábado, 4 de julho de 2009

ÁFRICA ???




Por essa eu não esperava: sentir frio na África!!! Nesta fase do ano, o clima seco e quente dá lugar a um clima frio e úmido que vai até agosto. Pois é, acredite se quiser, aqui faz frio.
Antes de vir pra cá, eu pensava que encontraria um calor de mais de 40 graus, como me diziam, mas vejo que não é bem assim, e com isso estive refletindo um pouco sobre a visão que temos da África. E obedecendo ao pedido de muitos daqui, quero passar a imagem verdadeira de Moçambique.
Quando pensamos em África, pensamos em animais selvagens, pessoas passando fome, muito calor e pobreza, pois é assim que a mídia nos mostra. Mas quando pisamos neste continente percebemos que isso não é verdade.

Sei que o que as pessoas gostam de ouvir é que estou vendo tudo isso, mas não posso ser mais uma pessoa que vai passar adiante essa visão distorcida daqui.
Tenho conversado muito com os jovens de Beira a respeito disso, e eles diziam o quanto ficam tristes com a atitude das pessoas que vendem uma imagem falsa da África.

Segundo eles, muitas pessoas quando vem para Moçambique trazem bolsas cheias de comida, para distribuir para o povo. Como se aqui não houvesse comida. Isso sem falar na quantidade de pessoas que nos perguntam se aqui temos que comer cabeça de macaco, ou se temos coisas comuns como telefone, Internet, e banheiro.

Bom, o motivo pelo qual estou escrevendo sobre isso, é para que tomemos cuidado ao ler uma revista ou assistir televisão, para que não aceitemos qualquer informação sobre este povo sem constatar a veracidade de tudo isso.
Moçambique é sim um país sofrido, pois faz apenas 17 anos que saiu de um período de guerra, mas é também um dos países pós-guerra que se recuperou mais rápido.
Não seja mais um a destruir a imagem desse continente...Ore para que seja ainda mais próspero e abençoado!!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Obrigada Senhor!!!


Neste sábado, dia 27 de Junho, completei mais um ano de vida. Pra mim, passar esse dia tão especial, em uma outra cultura, foi a realização de um sonho!!! Sempre sonhei em um dia visitar a África, conhecer novos costumes, mas nunca pensei que iria presenciar isso tão cedo.

E por isso estive refletindo em todas as bênçãos que tenho recebido nestes 22 anos de vida. Ao começar por minha família que sempre foram exemplo de vida pra mim. Tudo o que sempre me ensinaram foi viver uma vida que agrade não a homens, mas somente a Deus.

Infelizmente eles não puderam estar ao meu lado neste dia, mas sei o quanto desejavam estar. E foi pensando nisso que resolvi dedicar esse texto somente a eles, e agradecer por todo amor, e carinho que me deram até aqui.

Tive um dia lindo com minhas colegas que hoje estão sendo como uma família pra mim, e sem falar no carinho que recebi de todos daqui de Moçambique.

Sou grata ao Senhor por tudo, pois sei que somente por seu amor e graça que hoje estou aqui!!!

Abraço a todos!!!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Visitas em Dondo e Buzi


Olá....tive uma semana bem cheia e queria compartilhar um pouco com vocês. Iniciei nessa quinta feira as aulas de Capelania hospitalar, e fiquei muito contente com a quantidade de pessoas que estiveram lá. Foi muito muito interessante, discutimos um pouco sobre a necessidade de visitarmos os enfermos, e como eles se sentem em estar dentro de um hospital, rodeados de estranhos e longe de seus familiares e rotina. Teremos mais algumas aulas antes de iniciar as visitas, e a expectativa para o trabalho só tem aumentado.

No final de semana fizemos duas viagens. No sábado pela manhã fomos com seis mulheres daqui para Dondo, uma cidade bem próxima para participar de um culto de mulheres. O culto estava marcado para as nove da manha, mas só começou as onze da manhã, pois como eles mesmo dizem, atrazo é algo natural para o moçambicano. Enquanto esperávamos, fiquei aprendendo sobre como usar a capulana, que é um acessório indispensável para as mulheres daqui. Elas nào saem de casa sem estar usando uma capulana na cintura e uma na cabeça. E nós, como missionárias nesse país, temos que saber usar.

Foi um culto muito engraçado, com danças diferentes de todas que eu já tinha visto por aqui. Falamos sobre casamento, e depois serviran-nos "marreu''. Uma bebida típica daqui, feita com farinha de mandioca fermentada e leite, que por sinal está presente na maioria das festas. Mas tenho que assumir que não gostei muito!!!kkk

No dia seguinte fizemos uma viagem um pouco mais longa. Saímos daqui cerca de cinco da manhã, e viajamos por quatro horas, sendo que a maior parte da estrada era de terra. Enfim, chegamos em Buzi, uma pequena cidade. Fomos para conhecer a igreja que está sendo implantada alí. Tivemos um tempo muito especial com eles, pois todos se sentem muito honrados ao receber visitantes. Após o culto nos serviram um almoço muuito bom!! Creio que uma das melhores comidas que já experimentei. Frango com caldo de coco. Mas o que mais me chamou a atençao foi que antes de comermos, uma das mulheres lavou as mãos de cada um de nós, com um jarro de água e uma bacia. Me lembrei muito de Jesus nesse momento, quendo lavava os pés de seus discípulos.

Tenho vivido situações maravilhosas aqui, e agradeço a Deus por cada minuto de minha vida neste lugar. Alguns me perguntam o propósito de deixar tudo para um trabalho como este, mas se formos ver a vida de Jesus, saberemos que isso não é nada, diante de todo o seu Sacrifício por nós.


Um abraço a todos!!!

sábado, 6 de junho de 2009

JUNHO!! Mês das crianças!!!


Olá queridos!!!!
Estamos no mês de Junho, e pra mim é um mês muito especial. Não somente porque eu faço aniversário, mas porque é o mês das crianças em Moçambique, e eu as amo mais a cada dia. Às vezes sinto que Deus me trouxe para esse país justamente para cuidar delas!!
No dia 31 de Maio, que antecedia o dia 1, o Grande Dia das Crianças, fizemos uma festa linda pra elas. Como já contei a vocês, estamos trabalhando em um bairro chamado Entrada da Shota, e lá estamos alcançando muitas crianças, que correm ao nosso encontro todas as vezes que estamos chegando. Nesse dia fomos preparadas para fazer um encontro especial, com danças, músicas, teatro, e muitas brincadeiras, mas não imaginamos que seriam tantas crianças. Até porque tínhamos lembrançinhas suficientes para 130 crianças.
Chegamos sem dar muito alarme, justamente para que não passasse do número previsto de crianças que podíamos atender, mas não teve jeito!!! Em poucos minutos havia cerca de 150 crianças a nossa volta.
Foi difícil controlar, mas foi maravilhoso!!! As crianças pareciam estar realizadas, com tanta novidade. Sem falar nos adultos que pareciam mais felizes do que as crianças e ficavam em volta dando opiniões e querendo participar também.
Ah, e sabe quem estava lá, pulando e gritando o tempo todo? A Lídia, aquela menina que contei a vocês, que estava ardendo em febre no primeiro dia que cheguei no Shota. Quando levada ao médico, foi diagnosticado malária, mas após nossas orações a febre sumiu! Sua mãe voltou da machamba e agora está dizendo a todos que quer conhecer as moças que pediram para Deus curar a filha dela.
Mas por falar nisso, queria pedir a vocês ajuda em oração para a Finita, aquela mulher mulçumana que compartilhei com vocês, que se converteu em nossas reuniões. Desde aquele dia está muito doente, com o rosto inchado, sem saber ao certo o que tem. Os médicos não descobrem e ela esta cada vez pior.
Aqui as doenças parecem ser muito mais sérias das que encontramos no Brasil, não sei se isso é devido ao atendimento precário ao pela situação que as pessoas deixam chegar.
Nessa semana estarei iniciando um projeto no Hospital Regional de Beira, e por isso fui visitar o hospital, para saber quantos leitos possui, e como o trabalho devia ser realizado. Mas não imaginava que seria tão pesado. A sensação que eu tinha era de estar em um filme de guerra. Pessoas sem braços, sem pernas, um bebê sem o nariz, pessoas ensangüentadas. Sem falar na superlotação do hospital, cerca de dez pessoas com problemas diferentes em cada quarto.
Tinha também um andar só de infectados, que não podíamos entrar, e uma ala imensa de desnutrição. O hospital é bem grande, mas não possui muita burocracia. Qualquer um pode entrar ou sair para as vistas. Não foi fácil ver tudo aquilo, mas entendi porque desde que cheguei aqui Deus tem me falado para fazer um projeto hospitalar. Antes de iniciar, irei dar aulas de capelania hospitalar para os interessados no projeto, para iniciarmos as visitas uma vez por semana. Creio que será muito bom, e peço que estejam ajudando em oração.

Um grande abraço a todos!!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

MAFAMBISSE




Queria contar sobre uma experiência espetacular que tivemos no domingo passado. A igreja que estamos trabalhando está iniciando um trabalho em uma cidade próxima de Beira, chamada Mafambisse, e por isso fomos convidadas para conhecer.
Saímos daqui logo pela manhã, para iniciar a viagem. Andamos por um bom trecho de asfalto, com grandes plantações ao redor, até chegarmos à beira de uma mata. Seguimos com o carro por um caminho tão estreito que olhando parecia que até uma pessoa a pé teria dificuldades de andar. Nos sentimos literalmente como “desbravadores” abrindo caminho naquela mata. Mas é claro que chegamos em um ponto que não havia mais como o carro entrar. Foi então que descemos e terminamos o caminho andando.
Assumo que gostei muito mais desse momento, que andávamos por entre o vilarejo, conversando com algumas pessoas que saíam de suas pequenas casinhas de barro para nos ver. É sem dúvidas um povo completamente distante da realidade que vivemos atualmente.
Fomos levados para baixo de uma árvore onde iríamos fazer um culto. Não demorou muito para que as pessoas começassem a surgir de todos os lados, para nos ouvir, e demonstravam estar se sentindo muito honradas por receber a visita de estrangeiros. Sem falar nas crianças que ficavam admiradas ao nos ver, e nem disfarçavam a expressão de espanto, pois creio que muitas delas nunca haviam visto pessoas brancas.
No culto, eu tive o privilégio de levar a palavra, e fui auxiliada por um tradutor já que a maioria não falava o português. Depois tivemos um tempo muito alegre com danças e músicas no dialeto.
Infelizmente aquela manhã passou voando e nós tivemos que voltar, pois tínhamos outros compromissos em Beira. Mas não tenho dúvidas que aquele momento irá ficar marcado em minhas lembranças.




Grande abraço a todos!!!

Água!!!!




Ontem tive um dia muito diferente! Acordei cedo pensando que seria mais um dia comum, como qualquer outro. Arrumei-me, fui para a cozinha para deixar a água do café esquentando enquanto eu fazia outras coisas, mas ao abrir a torneira, tive uma surpresa: não havia água. Pensei que fosse somente na cozinha e fui conferir no banheiro, mas nada, nem sinal. Como eu estava atrasada e precisava sair, dei um jeitinho de lavar o rosto e escovar os dentes com a água do reservatório da cozinha, que por sinal estava no fim.

Enfim, as horas foram passando e nada da água. Tivemos que improvisar um almoço com o mínimo de água, e nem lembrar da hora que teríamos que tomar banho. Depois tínhamos o problema das vasilhas sujas, mas como fazer? Como iríamos passar um dia sem água? Acredite se quiser! Um dia sem água em nossas vidas pode fazer muita diferença.

Mas após algumas horas, descobrimos um lugar que podíamos buscar água. Tínhamos que buscar em baldes, e depois subir as escadas com todo aquele peso. Foi a cena mais engraçada que já vi, pois nós estávamos perdidas por viver um dia sem água, sendo que isso faz parte da rotina diária da grande maioria das pessoas que moram ao nosso lado, que nem sonham em ter água encanada. Algo que parecia ser tão difícil pra nós, é natural para tantos aqui.

Foi então que relaxei e comecei a refletir neste momento como algo de Deus para nós, pois muitos vizinhos que nunca haviam conversado antes conosco vieram nos ajudar com os baldes, pois se identificaram com a nossa situação. Enquanto eu me matava pra subir a escada com um balde pequeno, uma criança de doze anos subia com um muito maior na cabeça.

No fim do dia, a alegria foi grande, tínhamos água novamente!!! Mas neste ínterim, comecei a refletir sobre algumas situações que surgem em nossas vidas. Muitas das vezes agimos como se fossemos vítimas das circunstâncias da vida, e não conseguimos ver algumas situações como oportunidades para nós. Ao contrário de nos queixarmos de tudo, e vermos a vida como uma grande vilã, curta cada momento nesta terra!!




Grande abraço a todos!!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Refinados como o ouro




“O crisol é para a prata, e o forno para o ouro, mas o Senhor prova os corações.” Pv17:3

Esse versículo tem estado muito presente nos dias que tenho passado em Beira. Desde que cheguei aqui, as coisas pareciam ter congelado. Os problemas aumentaram, o trabalho não fluía como antes, minha equipe já não estava tão disposta, e tudo parecia estar se fechando para nós. Mas um dia, enquanto conversávamos, minha amiga Tati nos trouxe uma reflexão sobre o ouro.
Para que o ouro seja refinado, é necessário que ele passe por várias temperaturas diferentes. Quanto mais puro o ouro, mais alta a temperatura que este passou para ser refinado. Creio que assim somos nós, pois à medida que vamos estreitando nosso relacionamento com Deus e nos permitimos ser refinados por ele, este fogo que é o próprio Deus tende a nos purificar. No início nos parece confortável, pois o calor é agradável, mas com o tempo a temperatura vai aumentando e o calor passa a incomodar, pois este mesmo fogo não somente refina, mas ele deforma as nossas vontades, os nossos desejos, as nossas expectativas, nos tornando cada vez mais parecidos com o Ourives.
Nem sempre fazer a vontade de Deus vai ser confortável, mas sempre será recompensadora. Por isso estou a cada dia mais feliz por trabalhar para meu Pai, pois Ele tem me fortalecido e me ensinado em cada situação.
No entanto, esta semana as portas começaram a se abrir e o trabalho parece estar fluindo novamente. Percebi isso ao iniciarmos um trabalho em um bairro de periferia ao lado de nossa casa. A sensação que eu tinha era de estar em outro país, pois a realidade deste povoado é de extrema miséria e escassez.
Logo no início da caminhada, em um vilarejo por entre as casas, vi no caminho uma menina de cerca de oito anos deitada no chão enrolada em um cobertor. No calor que eu estava sentindo eu estranhei o motivo do cobertor e coloquei a mão em seu rosto. A menina queimava em febre e após fazer uma oração pedi para chamar os pais dela. Mas pra aumentar ainda mais a minha indignação, os pais estavam há meses na machamba ( como são chamados os trabalhos de plantio e colheita), e as filhas estavam sozinhas em casa, aos cuidados dos vizinhos que mal tinham comida para eles. Resolvi então levá-la a um posto médico, mas só poderia fazê-lo na companhia de um responsável, e infelizmente nenhum vizinho se dispôs a me ajudar. Uma das vizinhas me garantiu que a levaria ao médico na manhã seguinte, e tive que voltar para casa sabendo que a Lídia dormiria mais uma noite com febre e sem ter nada para comer.
É muito triste ver tantas necessidades e não poder supri-las, mas estou certa que somente a presença de Cristo pode trazer transformação.
Neste mesmo dia, enquanto voltávamos para casa tive outra surpresa. Um grupo de rapazes nos parou no meio do caminho, para perguntar a respeito do trabalho que estávamos fazendo naquele lugar. Foi então que nos questionaram dizendo que não podíamos ser pregadoras da Palavra, pois na visão deles as mulheres não podem exercer esta função, pois devem ser submissas, no sentido de estarem sempre caladas e atrás dos homens.
Não quisemos discutir, e nem quisemos saber qual era a religião deles, mas fiquei espantada em saber que esta realidade está presente em pleno século XXI, e entendi tudo isso como uma afronta já que estamos iniciando um trabalho tão lindo neste bairro.
Estamos com muita expectativa para este projeto e tenho certeza que esse sonho nasceu primeiramente no coração de Deus, e Ele nos ajudará a fazer da melhor forma possível.

Curiosidades:
Aqui em Beira não existem empregadas domésticas, e sim empregados domésticos. Este serviço é sempre ocupado por rapazes de cerca de 20 anos, e que por sinal são muito bons no que fazem.
Tanto aqui como na maioria dos países africanos, as mulheres em sua maioria usam saias ou capulanas, mas aqui senti isso muito forte. Mulheres que usam calça não são bem vistas.


Um grande abraço pra todos e assim que puder mando mais notícias!!!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Beira clama por SOCORRO!!!




Olá queridos!!!
Queria começar contando uma grande benção que presenciei essa semana. Na semana passada tínhamos alugado um apartamento para a equipe na nova cidade que estamos morando, em Beira, mas continuamos morando na casa de uma missionária, pois não sabíamos que a casa não era mobiliada e não tínhamos nenhuma condição para comprar móveis. Oramos muito, e esperamos o que Deus ia fazer. Mas por um milagre, em uma semana conseguimos o dinheiro necessário para comprar tudo o que precisávamos para uma casa, desde talheres até a geladeira, e no mesmo dia já fizemos nossa mudança também. Aleluia!! É maravilhoso experimentar o cuidado de Deus em nossas vidas.
Moramos rodeados de mulçumanos, e sei que isso tem um propósito. Estou orando muito, pois creio que a presença de Deus vai invadir esse prédio e alcançar a cada um deles. Mas desde que cheguei aqui tenho sentido isso na pele. O peso espiritual é tão grande que passei noites em claro, até entender que o que Deus queria era que eu intercedesse. Até mesmo ao andar pelas ruas da cidade sentimos esse peso. São muitas pessoas sentadas nas ruas pedindo dinheiro, pessoas machucadas, com membros amputados, muitos cegos, enfim, é um lugar muito triste e que clama por SOCORRO.
Um dia enquanto andávamos pela cidade, paramos para comprar amendoim, de um menino que estava sentado na calçada. Percebi que sua cabeça estava enfaixada, e sem que eu pensasse nada o Espírito Santo me disse que seu pai havia batido nele. Perguntei para o menino o que havia acontecido e ele me disse que tinha caído. Eu insisti na pergunta, pois sabia que essa não era a verdade, mas quando perguntei de novo, sua mãe apareceu e ele abaixou a cabeça, e disfarçando não respondeu. Esse é apenas um no meio de muitas crianças que estão sofrendo e precisam de nossas orações.
Iniciamos um trabalho nas tardes das terças e quintas-feiras, com crianças do bairro da igreja. São crianças muito carentes, e que não recebem muito incentivo dos pais para estudar. Por isso começamos esse trabalho dando aulas de alfabetização e reforço escolar. Juntamente com esse trabalho, oramos com elas e fazemos um devocional com músicas e histórias bíblicas.
Na próxima semana iremos iniciar um trabalho em um bairro de periferia próximo de nossa casa. São pessoas que necessitam muito de Deus, mas estamos entrando com bastante cautela, pois somos brancas e isso chama muito a atenção das pessoas aqui. Chega a ser engraçado, pois quando andamos nas ruas as pessoas param o que estão fazendo para olhar pra nós.
Esses dias tenho estudado e refletido muito na vida de Neemias, e gostaria de deixar uma pequena reflexão.

“Estou fazendo uma grande obra, de modo que não poderei descer; por que cessaria esta obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco?” Nm6:3

Neemias foi instruído por Deus para reconstruir os muros de Judá, e à partir do momento que iniciou esta obra, isso passou a ser a coisa mais importante em sua vida. Nada o tirava daquele lugar enquanto ele não terminasse o que havia sido colocado em suas mão. Em apenas 52 dias ele completou a obra com excelência, agradando muito o coração de Deus.
Seja o que for que Deus tem colocado em suas mãos, faça com excelência, tendo fé, para que o propósito de Deus venha se cumprir em sua vida.

Deus abençoe a todos vocês!! Continuem orando por nós!!

domingo, 3 de maio de 2009

Cidade de Beira!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!







Olá!!! Já faz uma semana que estou em Beira, mas só estou escrevendo agora devido à correria. Viemos de ônibus no domingo passado, saímos de lá pela madrugada e viajamos por quase quatorze horas. Pra minha surpresa o ônibus era ótimo, com direito a lanches servidos por eles e tudo, mas não porque era um favor da companhia de viagem, mas justamente porque não havia nada na estrada a não ser casinhas muito simples e feitas de caniço.
A viagem foi longa, e era muito difícil compreender que estávamos deixando aquelas pessoas que tínhamos conhecido em Maputo. Chorei muito pra me despedir do Pr. Jessé e da Pra. Raquel. Essa família nos marcou muito com seu amor pela obra e dedicação. O trabalho que eles desenvolvem em Maputo é um exemplo, e milhares de vidas estão sendo abençoadas por eles. Além do trabalho do orfanato e escola, realizam um trabalho muito grande chamado Som do Céu que tem sido falado e admirado por toda a região.
Mas não é só isso. O que mais me marcou foi o carinho e atenção que eles nos deram esse tempo, pois assim como médicos ficam frios com o tempo, percebo que missionários também, pois começam a perder a sensibilidade. Mas ao contrário disso, aquela família nos cuidou e tratou como ninguém mais faria. E por isso fiz questão de citar o nome deles, pois o próprio Deus nos diz que devemos dar honra a quem merece honra.
Bom, fora a saudade que estou sentindo deles, estamos nos adaptando a essa nova cidade. Passamos a primeira semana organizando o apartamento que iremos morar. Aqui tudo é extremamente caro, e um simples apartamento está por volta de 500 dólares, mas graças a Deus conseguimos um por 300. Agora estamos organizando a compra de algumas coisas como fogão, geladeira e colchões para que possamos mudar para lá. Enquanto isso estamos morando na casa de um casal de missionários.
A cidade é completamente diferente de Maputo. Aparenta ser menor, e não é muito bonita, pois a grande maioria das casas é destruída, devido a uma lei que o governo fez, impondo uma taxa para reformar ou pintar qualquer propriedade. Por isso ninguém tem condições de reformar a não ser uma pequena minoria da população.
Sem falar que o dialeto é outro, chamado Sena, e os costumes são um pouco diferentes. Uma coisa que me chamou atenção foi que os rapazes daqui tem o costume de andar de mãos dadas. Eu estranhei e perguntei para o missionário daqui que é Moçambicano. Ele disse que isso é muito natural aqui, pois se um homem é amigo, ele será amigo de verdade, a ponto de andar de mãos dadas. Mas o mesmo não ocorre com freqüência para as meninas.
Aqui muitos vivem da pesca, e logo pela manhã a praia está cheia de pescadores, sem falar na areia que fica forrada de peixes que são espalhados pelo chão para secar. O cheiro não é nada agradável. Vocês devem imaginar.
Neste tempo irei trabalhar dando aulas de evangelismo em um seminário teológico, direcionar o culto das crianças, e realizar algumas outras coisas que estou estudando, como um trabalho nos hospitais, visitas na favela e aulas de reforço escolar. Não sei exatamente se vou conseguir cumprir todas essas coisas, mas esses são meus planos por enquanto.
Acostumar-me aqui em Beira não tem sido muito fácil, mas creio que estou passando pelo tão famoso “Choque cultural”. São reações a coisas simples como a falta do pão francês e o cafezinho preto que temos sempre no Brasil e aqui não são encontrados, o clima que é até mais quente e abafado do que Maputo e diversas outras coisinhas. Sei que é algo natural, que todo missionário passa, mas peço que estejam intercedendo por mim e minha equipe. Iremos vencer tudo isso e completar a obra que Deus reservou pra nós.
Ontem ministrei minha primeira aula no seminário, gostei muito e creio que os alunos também. Foi um desafio pra mim, pois eu nunca havia dado aula para adultos. Fora isso preguei hoje no culto. A igreja daqui não é muito grande, mas bem legal.
Assim que tiver mais novidades estarei escrevendo novamente. Saudade imensa de todos vocês!!!

domingo, 26 de abril de 2009

A primeira etapa concluída


“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”. II Tm 4:7


Esse versículo descreve muito bem o período pelo qual estou passando esses dias. Estou deixando Maputo, deixando o Centro Arco Íris pra continuar o trabalho em Beira, como havíamos decidido no Brasil. Fiquei muito triste por ter que me despedir de pessoas tão especiais e que me marcaram tanto. Mas também fico muito feliz, pois como Paulo disse no versículo acima, eu também pude completar o meu tempo aqui com excelência e tenho certeza que o Senhor se agradou deste trabalho.
Nestas últimas semanas finalizei o trabalho de decoração da escolinha com cartazes coloridos nas salas de aula, e como eu já havia falado, devido ao período de férias da escolinha, eu estava me dedicando às visitas nas casas próximas ao centro.
Em uma dessas visitas, decidimos que iríamos visitar uma de nossas aluninhas, mas no meio do caminho recebemos uma direção de Deus para irmos a uma outra casa. Para minha surpresa, não havia adultos na casa, mas três crianças que cuidavam de um bebê enquanto a mãe havia ido trabalhar. Na casa havia apenas uma esteira no chão de terra, e no canto algumas vasilhas sem nenhum sinal de alimento. A criança que estava deitada na esteira aparentava estar suja de urina já há algum tempo, devido ao forte cheiro que havia na casa, e as demais brincavam no quintal.
Assim que sentamos pra conversar percebi que o bebê possuía problemas mentais, pois enquanto conversávamos, ele virava o olho e batia em sua própria cabeça. Oramos com eles, cantamos algumas músicas e contamos uma história, mas percebemos que o que eles precisavam naquele momento era de alimentos. Por isso compramos algumas coisas e fizemos um lanche entre eles. Quando estávamos saindo, perguntamos o que eles queriam pedir pra Jesus, e a resposta foi: comida. Foi uma cena muito forte pra todas nós!
Fizemos diversas outras visitas, mas queria falar um pouco sobre aquela jovem que contei na semana passada, que visitamos em sua casa. Na última visita ela nos impressionou por estar tão magra e debilitada e mal conseguia falar. Poucos dias depois da visita ela foi internada em um hospital próximo em péssimas condições. Seus três filhos ficaram na casa da visinha e então fomos vê-los. Eles estavam muito abatidos por estar longe da mãe, conversamos um pouco com eles e juntamente oramos pela Gilda, a mãe deles. Alguns dias depois fomos ao hospital para ver como ela estava. Um milagre! Apesar de ainda estar bem magra, ela estava conversando, rindo, já está andando, e fez uma grande festa quando nos viu. Seus parentes disseram que fazia dias que não a viam tão alegre. Foi muito bom estar com ela, e ver o que Deus tem feito, pois tenho certeza que nossas orações estão alcançando aquela vida.
Depois aproveitamos para orar e conhecer outros pacientes. Eu morri de rir quando nos disseram que nós não parecíamos brasileiras, porque nas novelas as brasileiras estão sempre com roupas curtas, mostrando a barriga, e nós estávamos vestidas como moçambicanas, sem mostrar o corpo.
Ah, eu não podia deixar de contar sobre o passeio que fizemos em Nelspruit, uma cidade da África do Sul, há duas horas daqui. Assim que atravessamos a fronteira o cenário mudou. A estrada é sinalizada, limpa, com grandes plantações e a cidade completamente arborizada e organizada, o oposto de Moçambique. Apesar de ter sido apenas um dia, foi um passeio maravilhoso.
No dia seguinte ficamos por horas nos despedindo de todos do centro Arco-Íris. Foi muito triste deixar aquelas crianças que já faziam parte da minha vida. Recebi muitas cartinhas e palavras lindas, mas uma coisa me chamou muito a atenção. Uma menina pediu pra orar por mim, e em sua oração ela agradecia a Deus por ter me conhecido, porque através de minha vida ela havia aprendido a amar, pois viu sinceridade em minha vida. Lindo, né!
Bom, vou ficando por aqui. Estejam orando por mim e pela equipe para que possamos fazer uma boa viagem e por nossa nova etapa em Beira. Que Deus abençoe vocês!!!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A verdadeira páscoa!!


Olá pessoal! Aqui estou novamente. Perdoem-me pela demora, mas atualmente estou morando em um lugar bem distante da cidade, o que acaba me impedindo de escrever mais.
Desta vez estou ainda mais ansiosa pra escrever tudo o que Deus tem feito por aqui em tão pouco tempo.
Bom, pra começar, estamos na semana da Páscoa, e aqui a Páscoa é tão importante quanto o Natal. Com isso a escolinha entrou em férias, e mudamos muita coisa em nosso trabalho, pois tivemos que nos despedir dos nossos aluninhos um pouco mais cedo. Fiquei um pouco triste, pois ainda tinha muito trabalho a ser realizado com eles, mas sei que tivemos um tempo especial, e que muitas sementes foram plantadas em seus corações.
A despedida foi inesquecível! Levamos todos os alunos para o gramado, e tivemos um tempo diferente com eles, aprendendo sobre a vida de Samuel, com muita música, dança e brincadeiras. Aprendi muito com a disposição e simplicidade daquelas crianças. Uma das crianças que me marcou muito foi a Sheilinha, uma criança de apenas sete anos, que perdeu sua mãe para a AIDS, e atualmente mora em uma casa com a avó e a tia, a qual é portadora da mesma doença e devido ao estágio avançado da mesma encontra-se em um estado de extrema magreza e dores. Como se não bastasse todo o quadro de doença familiar, esta criança carrega consigo um caroço ao lado direito do rosto que não pode ser retirado devido a uma anemia profundo que possui. Ao olhar para essa situação fui impactada pela maneira como uma criança de apenas sete anos, tem passado por uma tempestade como essa em sua vida, e mesmo assim tem se mantido firme, e em cada oração sua, sou constrangida com o sentimento de fé que há nela.
Outra coisa que tem me marcado muito são as visitas, que estou podendo fazer agora, já que as aulas foram encerradas. Até este momento eu tinha dificuldade de acreditar que estava na África, pois até então não tinha visto nada parecido com o que é falado sobre este povo no que diz respeito à miséria e fome. Mas esta semana pude presenciar casas feitas de caniço, de apenas um cômodo, chão batido e somente folhas de feijão para comer. A primeira visita que fizemos foi para uma mulher que se encontra há alguns meses doente, sem saber ao certo do que sofre. Deitada em um colchão no chão de terra, não se movia e nem falava, com muito esforço apenas mexia a cabeça quando concordava com o que dizíamos. Não consegui conter as lágrimas, pois ao tocar em seu braço, percebi que se encontrava apenas em pele e osso, e pude ver uma ferida aberta sem nenhum sinal de sangue em seu debilitado corpo.
Já na segunda visita fiquei muito contente com o que o Senhor realizou. Visitamos uma senhora que tem sofrido muito, tanto por ter sido abandonada pelos filhos e esposo, quanto às dores que tomam conta de todo o seu corpo: desde uma perna menor do que a outra, até a coluna fora do lugar. Enquanto orávamos fomos surpreendidos pelo milagre que o Senhor realizou, pois a perna cresceu diante dos nossos olhos e se igualou com a outra. A dona Luiza, que estava andando bem devagar pelas fortes dores, começou a correr pela rua de Terra agradecendo a Deus. E no dia seguinte ela estava dando o seu testemunho na igreja. Foi tremendo!
Como lhes disse, tivemos uma semana cheia devido à programação de Páscoa, com cultos todos os dias às seis da manhã, uma vigília completamente diferente, com apresentações, danças, filme “A paixão de Cristo”, e até as senhorinhas da igreja dançando black music. Sem falar no passeio que fizemos com as criançasFoi em uma quinta feira, saímos daqui em dois ônibus lotados de crianças, e viajamos por duas horas para chegar em uma praia maravilhosa. Creio que foi um passeio inesquecível pra elas, pois nos divertimos muito, e depois comemos pão com peixe e refrigerante de limão.
Enfim, são essas coisas que nos fazem ver o quanto vale a pena renunciar uma vida de vontades próprias para andar debaixo da vontade de Deus.
Estejam orando por mim, pela equipe, pela viagem que teremos que fazer para Beira, pelos recursos que teremos que levantar para a mesma, por nossa vida espiritual e saúde.

beijinhos

segunda-feira, 30 de março de 2009

Yessu a Kanaka !!!!!







O tempo aqui está voando. Mais uma semana se passou, e tantas coisas aconteceram nesses dias. Tenho me empenhado bastante nas aulinhas de reforço e na decoração da escola. Mas esta semana foi um pouco mais corrida porque recebemos a notícia de que a Primeira Dama de Moçambique faria uma visita ao Projeto Arco Íris, e infelizmente foi desmarcada.
Mas o que me chamou muito a atenção foi o fato deste projeto ser tão reconhecido no país. As pessoas que moram aqui dizem que antes do projeto iniciar, esse bairro, apesar de ser muito grande, era uma parte esquecida na cidade. Não haviam ruas asfaltadas, escolas, clínicas, enfim, quase nada. E há onze ou doze anos atrás, quando o Pr. Jessé e Pra. Raquel vieram pra cá, o bairro começou a se expandir. Hoje, as ruas são asfaltadas, já existe energia, água, e a parte da educação está bem melhor.
Isso sem falar no que o projeto Arco Íris oferece. Dentro do centro existe pré-escola, escola de primeira à quinta série, salão de beleza, igreja, carpintaria, campo de futebol e uma bomba de água que oferece água para pessoas que moram por perto e não possuem água encanada. Tudo isso tem chamado a atenção do governo, e significa que estão sendo referenciais no país.
Fora isso, essa semana tive uma experiência fantástica! Fizemos uma visita a uma Ilha, chamada Catembe. As crianças são extremamente carentes de recursos, de estrutura, e de saneamento. Então, a cada quinze dias, uma equipe do centro Arco-íris realiza um trabalho lá, sempre aos sábados. Foi maravilhoso poder participar de tudo isso. Fizemos apresentações com músicas e teatros para entreter as crianças, no entanto o que mais me tocou foi o momento da distribuição de pães, no qual a alegria das crianças foi tão grande, que acabou me comovendo.
Essa semana também fiquei muito contente com algumas coisas que Deus fez, pois apesar do meu esforço para alfabetizar as crianças, não estava notando muita mudança. Então, Deus nos deu uma direção de fazermos aulas passeio com as crianças. Seriam aulas no gramado, afim de que elas ficassem mais desinibidas, e assim nós pudéssemos orar pelo entendimento de cada uma delas. Após fazer isso, nos surpreendemos com o progresso. Apesar das muitas dificuldades que ainda possuem, estão evoluindo muito mais rápido. Como no caso da Emília, uma aluninha que mal escrevia a primeira letra de seu nome, e agora está escrevendo sozinha.
Bom, pra terminar, gostaria de contar sobre um aniversário de uma criança de nove anos que estivemos. Assim que nos convidaram, pensamos que seria uma festinha simples, como as que temos no Brasil, com bolo e parabéns. Mas na cultura deles, o aniversário é algo muito importante. Significa mais um ano de vida, e isso é uma vitória em um país que os jovens morrem tão cedo. Quando chegamos, as crianças estavam todas sentadas em uma esteira, cantando, mas todas comportadas. Só estavam nos esperando pra iniciar a festa. Assim que chegamos, as crianças começaram a cantar uma música que dizia “ huma Henrique, huma...huma Henrique, huma...” Significa, saia Henrique, saia. Então o Henrique saiu da casa de terno e gravata, acompanhado pela madrinha e mais alguns parentes. Todos usando vestidos longos de festa e na mesa, haviam algumas cadeiras reservadas só pra eles. A festa continuou com outra música, que dizia, corte o bolo, pois queremos comer...hehehhehe...é muito diferente. Então ele corta o bolo e serve um pedaço na boca dos pais e madrinha. Depois disso começam a servir a comida. Aqueles que estão na mesa comem de tudo, mas as crianças que estavam na esteira, só comem arroz e feijão. Isso no Brasil seria uma falta de educação!! Kkkk Depois, todos que trouxeram presentes são chamados na mesa para entregar a ele, e assim a festa continua.
Enfim, por hoje é só. Vou ficando por aqui, e assim que puder mando mais notícias.
Continuem orando por mim, estarei orando pr vocês também!!

terça-feira, 17 de março de 2009

A cada amanhecer, uma nova vitória!!


Doze dias se passaram, e apesar da saudade que sinto de todos vocês minha adaptação nesta nova cultura tem sido muito rápida, graças a Deus. Muitas coisas são parecidas com o Brasil: o clima quente, a alegria das pessoas, a comida de um modo geral entre outras coisas; e todos estes fatores têm colaborado para minha adaptação.
A língua falada aqui em Maputo ainda que seja o nosso português, há um sotaque do português de Portugal e com isso apresenta algumas novidades, como por exemplo, não se usa a forma do gerúndio na formação das frases. Ao invés de “estou andando” se diz “estou a andar”. Há também algumas palavras interessantes como, “mata bicho” ou “pequeno almoço” que é o nosso “café da manhã”, “casa de banho” que é o nosso “banheiro”, “camarata” ao invés de quartos, “rapariga” ao invés de “menina”, e “borla” é usada para dizer que algo é “grátis”.
Fora isso, existe o dialeto local chamado xangana. É até mais usado do que o português, e por isso ficamos tão confusos pra entendê-los às vezes. Já aprendi algumas coisas, mas não sei se vou conseguir escrever corretamente. “Famba na Yessu” significa “vá com Deus” e “Dzi Xile” significa “Bom dia”. Aprendi outras, mas não vou nem arriscar em escrever, porque tenho certeza que irei escrever errado.
Bom, fora essas curiosidades, queria dizer o quanto estou feliz de estar aqui. Assim que cheguei comecei a dar aulas de reforço para seis alunos de primeira série junto com minha amiga, mas as professoras das outras séries logo vieram atrás de nós para pedir ajuda, e agora estamos dando aula todos os dias, de manha e à tarde, para alunos de primeira à terceira série. Fiquei impressionada quando começamos, não esperava que seria um desafio tão grande. As crianças por só usarem o português em sala de aula, não sabem ler e escrever quase nada. Muitos não sabem nem as cores e números, e a maioria não consegue nem escrever o próprio nome.
Mas estou empolgada, e creio que este será o primeiro milagre: ensinar essas crianças a ler e escrever em um mês...kkkkk....As aulinhas sempre começam com uma oração e algumas músicas bíblicas. Depois trabalhamos com coordenação motora, cores, números e letras. Tem sido muito bom ver o crescimento delas e a sede de Deus que elas tem desde pequenas. Quando chega sexta feira, elas estão felizes, e dizem o tempo todo que domingo irão à igreja.
Fora isso, todas as segundas é realizado um evento chamado Som do Céu. O Pr. Jessé aluga um teatro que fica bem no centro da cidade, e então os jovens do projeto Arco Íris que são ótimos músicos, fazem um louvor evangelistico, que é sempre seguido por uma palavra de algum pastor convidado. Os jovens do projeto se dividem em três equipes, intersessão, evangelismo e louvor, e todas as semanas pessoas que na maioria das vezes são atraídas pela qualidade do som, conhecem a Deus e entregam a sua vida a Ele.
Estou impactada com o temor e responsabilidade que esses jovens tem. Creio que esse país será transformado por essa geração!!!
Mais uma vez agradeço a todos que estão me apoiando financeiramente e em oração para que eu estivesse aqui. Deus abençoe vocês!!

Beijos!!!!

terça-feira, 10 de março de 2009

Pisando na terra prometida!!!


Cheguei!!! Nem acredito que estou na áfrica, e nem preciso dizer que está sendo a melhor experiência da minha vida, né. A diferença do Brasil já era notória quando entramos no avião, que fomos recebidos por uma música africana linda, as pessoas, em sua maioria negros e vestindo roupas coloridas, e o que mais tivemos dificuldade: a língua!! Aiii, que apuro...todos falavam inglês, e os que falavam português, nós também não estávamos entendendo por ser o português de Portugal, mas muito mais carregado. Então quando o comissário de bordo vinha nos servir, primeiro falava em inglês o que tinha, como não entendíamos, ele tentava falar em português, e dizia: Temos tosta de queijo e fiambre...hehehe....não tinha nem idéia do que era, mas agora já estamos nos acostumando com esse português. Tosta de queijo e fiambre é misto quente de presunto e queijo. Depois, quando estávamos na fila, veio um homem e nos perguntou: É bixa? Nós começamos a rir, o que ele estava dizendo??? Mas depois nos explicaram que bixa é fila, e por aí vai, são milhares de palavras diferentes do nosso vocabulário.
O avião pousou na África do Sul, e lá ficamos por umas duas horas até pegar o outro avião para Moçambique. O aeroporto de lá é muito bonito e já está todo sendo reformado para a copa do ano que vem. Lá, o que mais me chamou a atenção foram as mulheres sul africanas, que andam muito bem vestidas, com penteados muito diferentes e escandalosos.
Mas, enfim, chegamos em Maputo. Aqui, o aeroporto é muito mais simples, parecido com o de Porto seguro, em tamanho e desorganização. Como entra muita droga no país, a burocracia para entrar é muito grande, e as pessoas não são muito simpáticas. Como eu e minhas amigas estávamos levando duas caixas de bíblias, eles nos fizeram abrir tudo pra ver se não era droga, perguntaram o que tinha dentro das bolsas, mas no final ficou tudo bem.
A essa hora já estávamos mortas de sono e cansaço, pois no nosso horario brasileiro, a essa hora eram duas da madrugada, e aqui eram sete da manha, entao tivemos dois dias e uma noite. Depois de quase uma hora de carro até chegarmos no Projeto Arco Íris, tivemos a recompensa. O lugar é Maravilhoso. É um sítio bem grande, duas casas para as crianças do orfanato, uma escolinha que recebe crianças dos bairros próximos também, o refeitório e a cozinha que são em outra casa, duas casas para os missionários do projeto e três casas para equipes missionárias visitantes.
Pr. Jessé e Pr. Raquel são os missionários que estão nos recebendo. São muito atenciosos e fazem um trabalho muito interessante aqui. As crianças são ensinadas desde cedo sobre os princípios bíblicos, e cada criança tem sua função aqui dentro. Isso é muito bom, porque assim crescem como jovens responsáveis e maduros.
Por exemplo, na escolinha, não é preciso gritar em uma sala de mais de quarenta alunos, porque eles falam baixo e quando precisam de algo chamam a professora como senhora professora.
Os cultos são totalmente diferentes do que vemos no Brasil. O que mais me tocou foi a hora da oferta que todos ofertam, não fica nenhum sentado, e é a hora mais feliz do culto. Eles vão dançando e cantando muito!!!
Faz parte da cultura deles também não ir somente de calça à igreja, temos que amarram um pano na cintura, por cima da calça, parecido com as cangas que usamos pra ir à praia.
A alimentação daqui é muito diferente, ontem comemos ximo de milho, parece um perê de milho, com creme de amendoim e atum. Aiii, não foi tão fácil comer não viu! Hehe...Outra dificuldade tem sido com a troca de dólar para meticais, ou reais para meticais. Às vezes fazemos uma confusão, mas já sabemos que para cada dólar são 7 meticais, e para cada real são doze meticais. Entendeu?? Confuso né...
Eu já comecei a dar aula pra uma turminha que está com muita dificuldade na escrita. São seis aluninhos, todos de seis e sete anos. Estou amando!!!
Mas sei que ainda tem muita coisa pela frente, afinal só estou aqui a quatro dias, e conforme as possibilidades estarei contando pra vocês!!!

Deus abençõe!!!!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Um mal chamado falta de fé


Queria começar falando um pouquinho do que tenho vivido esses dias. Sempre que estamos prestes a viver algo grande de Deus para nós, a dúvida começa a entrar em nossos corações. Faltando poucos dias para minha minha viagem para Moçambique, comecei a pensar que não teria condiçoes de ir já que não tinha dinheiro nem para a passagem, e quando me vi estava reservando algumas coisas de ouro que tinha para vender.


Passei o dia pensando se isso seria correto, e se era isso que Deus queria que eu fizesse. Mas quando abri a Bíblia, tive a resposta de imediato.



"Então Satanás se levantou contra Israel, e incitou Davi a numerar a Israel." ICr 21:1



Creio que todos conhecem essa história, e sabemos que numerar o povo de Israel não era um ato pecaminoso. Entretanto, essa atitude tomada por Davi em um momento de fraqueza demonstrou sua falta de confiança em Deus. Davi estava confiando em números ao invés de confiar em Deus.


Da mesma forma que vender minhas coisas também não seria errado se eu não tivesse demonstrando com isso minha falta de confiança em Deus. Se Ele me chamou para essa missão, Ele me daria a provisão.

E foi extamanete isso que Ele fez. Poucos dias depois fui surpreendida com o cuidado do meu Pai, que colocou pessoas que eu nem esperava para me abençoar financeiramente.



E você? Tem confiado no Deus que você serve, ou tem tentado dar uma ajudinha a Ele?