Já havia se passado uma semana que havíamos voltado de Marromeu, quando eu acordei para um dia normal de trabalho, e por algum motivo que eu desconhecia, acordei com muita dor no corpo. Não me importei muito e saí junto com a equipe, para o bairro onde trabalhamos.
Era um dia quente, de sol, mas eu tremia de frio. Pensei que conforme começasse a andar iria melhorar, mas o frio só aumentava.
No meio do caminho percebi que minha pressão estava caindo, e comecei a perder a cor. Voltei pra casa pensando que era apenas um mal estar e que passaria no final do dia. Mas quanto mais as horas se passavam, mais sintomas apareciam. Comecei a ter dores de cabeça, dores no corpo e muita fraqueza.
Foi aí que entendi, que o que eu tinha era Malária. Certamente, em nossa viagem para Marromeu, fui picada pelo inseto da malária, e só agora estava sabendo que trazia esta lembrança indesejável de lá.
Fui ao médico, e realmente foi constatado que eu estava infectada. Comecei o tratamento, que durou quatro dias, com muitas dores, febre de 39°, e enjôos. A cada dia que se passava parecia que os sintomas pioravam.
Nestes dias meus pensamentos voavam constantemente ao Brasil, e acho que pela primeira vez pensei em voltar. Sentia falta da minha família em um momento tão difícil como esse.
Sei que isso é algo comum para os missionários, mas eu ainda sou um “aprendiz”...kkk...e isso foi muito difícil pra mim.
Como só conseguia ficar deitada, às vezes eu ligava a radio para me distrair e passar o tempo. E em um dos dias mais difíceis, me lembro que ouvi uma pregação, em que o pastor repetia por várias vezes a seguinte frase: “Os olhos do Senhor estão onde você está”.
Esta simples frase começou a entrar em meu coração e começou a me dar forças novamente. Comecei a trazer a memória, todos os momentos difíceis que já havia passado, e que Ele esteve comigo. Nunca estive só, mesmo tão longe de meu país.
E o mais interessante é que comecei a entender o porquê de estar passando por isso. Lembrei-me da pequena Lídia (história contada em postagens anteriores), que fervia em febre quando a vi pela primeira vez. Eu sabia que ela estava doente, mas eu não imaginava a dor que ela sentia, e isso sem falar nas centenas de outras pessoas que passam por isso nesse país, e agora posso entender o que sentem.
Mais uma vez constatei que o povo Moçambicano é um povo guerreiro, pois eu passei por isso com tantas condições e cuidados médicos, ao contrário do povo daqui que muitas vezes vence essa doença sem a metade do que eu tive. Passam sem reclamar, ou se abater, pois muitos precisam continuar trabalhando mesmo doentes.
Fico impressionada com a força que existe nesse povo!!!
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Se não tiver amor...
Iniciamos esta semana as vistas com fantoches e músicas no Hospital. Foi uma experiência maravilhosa!!! Quando comentei com algumas pessoas sobre levar esse tipo de trabalho para dentro do hospital fui desmotivada por muitos, pois aqui nunca houve trabalho como este, e por isso soava como um insulto e desprezo para com o sofrimento daqueles que estão internados.
Mas eu tinha certeza que isso não era um sonho meu, e sim de Deus e por isso resolvi ousar e arriscar o nosso trabalho hospitalar.
Passei o dia em oração pela equipe, com muito medo de não sermos aceitos com os bonecos lá dentro.
Assim que chegamos fui direcionada por Deus para entrarmos na ala de desnutrição, a qual havia crianças bem fraquinhas e magrinhas. Não tivemos nenhum problema ao entrar, e até pelo contrário, pois as enfermeiras que nos receberam, só de ver os fantoches já começaram a rir e ficaram curiosas para saber o que iríamos fazer. O clima era aquele de hospital que todos conhecem. Mas parece que quando começamos a cantar um sentimento de paz invadiu aquele lugar e os rostinhos começaram a mudar, apesar de ter algumas crianças que tinham medo dos bichinhos.
Após cantar uma música, nós nos espalhávamos e íamos cada um em uma cama para orar e brincar com as crianças. E isso se repetia em todos os quartos. É difícil descrever o que eu sentia, pois foi uma das coisas mais lindas que já presenciei.
Infelizmente uma hora de visita passou voando e quando vimos já tínhamos que ir embora, mas as sementinhas ficaram, pois quando estávamos saindo ouvimos pessoas cantando o refrão da música que tínhamos cantado...
Passei o dia em oração pela equipe, com muito medo de não sermos aceitos com os bonecos lá dentro.
Assim que chegamos fui direcionada por Deus para entrarmos na ala de desnutrição, a qual havia crianças bem fraquinhas e magrinhas. Não tivemos nenhum problema ao entrar, e até pelo contrário, pois as enfermeiras que nos receberam, só de ver os fantoches já começaram a rir e ficaram curiosas para saber o que iríamos fazer. O clima era aquele de hospital que todos conhecem. Mas parece que quando começamos a cantar um sentimento de paz invadiu aquele lugar e os rostinhos começaram a mudar, apesar de ter algumas crianças que tinham medo dos bichinhos.
Após cantar uma música, nós nos espalhávamos e íamos cada um em uma cama para orar e brincar com as crianças. E isso se repetia em todos os quartos. É difícil descrever o que eu sentia, pois foi uma das coisas mais lindas que já presenciei.
Infelizmente uma hora de visita passou voando e quando vimos já tínhamos que ir embora, mas as sementinhas ficaram, pois quando estávamos saindo ouvimos pessoas cantando o refrão da música que tínhamos cantado...
” Grande, tão grande,
Alto, tão alto,
Fundo, profundo,
É maior que o mundo,
Mas é pequeno,
Cabe lá dentro do coração de quem
se entrega ao Salvador...”
Alto, tão alto,
Fundo, profundo,
É maior que o mundo,
Mas é pequeno,
Cabe lá dentro do coração de quem
se entrega ao Salvador...”
Estar em Moçambique tem sido como uma escola pra mim, pois a cada dia tenho recebido ensinamentos valiosos, que por vezes são aceitos e por vezes desprezados.
Dias após a visita no hospital, estava em casa descansando, quando ouvi o barulho da campainha tocar por várias vezes sem intervalo. Eu me levantei, nervosa, e quando abri a porta era um rapaz que olhava para o chão. Antes de ouvir o que ele tinha para dizer, eu já fui falando sem nenhuma paciência que ele não podia fazer aquilo, pois assim ele incomodava quem estava lá dentro. O rapaz levantou a cabeça, e eu fiquei envergonhada ao ver seus olhos brancos. Era um moço cego que estava apenas pedindo algo para comer.
Depois de ter entregado algo para ele comer e fechado a porta, percebi que Jesus queria me ensinar algo.
“E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres , e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, de nada valeria...” I Co 13:3
Tantas pessoas passam por nossas vidas, e ao invés de ver amor, cuidado, elas vêem desprezo, ou falta de paciência. Do que adianta as muitas obras se não existe amor ?
segunda-feira, 27 de julho de 2009
MARROMEU
Esta semana fizemos a tão esperada viagem para Marromeu. Um distrito de Sofala, onde foi realizada a conferência da Igreja Batista Renovada de Moçambique. Foi uma experiência única e sem dúvidas inesquecível para todos nós. Por isso vou escrever detalhadamente sobre cada dia, para que vocês blogueiros possam sentir um pouquinho dessa grande aventura.
Começamos a viagem no dia 22, em uma quarta-feira. Estávamos preparados para sair as cinco da manhã, mas de forma inexplicável, a gasolina de toda a cidade se esgotou, e por isso tivemos que buscar em uma cidade vizinha o que acabou atrasando um pouco nossa saída. Mas isso não foi o mais difícil, pois o mais complicado foi colocar mais de vinte pessoas e muita bagagem em um chapa (van) com capacidade para quinze pessoas apenas. Fomos apertando, apertando, e quando eu pensava que não caberia mais ninguém, eles ainda davam um jeitinho de entrar mais um. Foi engraçado, mas nada confortável...kkk
A viagem foi longa, com poucas paradas para pelo menos nos esticarmos às vezes. Pelo caminho, não havia restaurantes, lanchonetes, nada disso que os brasileiros estão acostumados na estrada, mas havia apenas vendedores ambulantes, que vendiam bananas, ovos cozidos, pães, e refrigerante. Sem falar na casa de banho (banheiro), que era apenas um cercadinho de palha e as necessidades eram feitas na própria terra.
Mas a viagem começou a se estender e quando percebemos já era noite. Éramos em três carros, mas justamente no momento que entramos em uma estrada de areia, nos perdemos de um deles. Continuamos pela estrada com a esperança de estarmos no caminho certo, mas como o carro estava muito pesado por estar suportando mais de vinte pessoas e todas as malas, acabamos atolando na areia, e nos perdemos do outro carro também que seguiu a viagem sem perceber que estávamos atolados.
Depois de termos todos descido do carro, afim de aliviar o peso, fiquei sabendo que aquela era uma região próxima de uma reserva e portanto com muitos leões. Ahhh, aquilo me aliviou muito, sabe. Saber que estava com o carro atolado, no meio do mato, sem nenhuma luz por perto e sabendo que pessoas já tinham sido atacadas por leões naquele trecho....muito aliviante..kkkk...
Mas nada nos aconteceu!!!! Graças a Deus conseguimos voltar para a estrada asfaltada e continuar a viagem por outro caminho. Depois de quase quinze horas de viagem chegamos a Marromeu uma pequena cidadezinha.
E o que mais me chamou a atenção nisso tudo foi a gratidão do povo moçambicano, pois em todo momento, mesmo apertados, com fome, frio, eles só cantavam e brincavam com a situação, mas nunca reclamavam de nada.
Chegamos bem tarde, e logo fomos encaminhados para a casa que iríamos ficar hospedados. Ficamos em uma pequena casa de pedra e cimento, mas muito confortável, tirando o frio que estávamos sentindo aqueles dias. Tivemos que nos habituar com a falta de energia elétrica, e as casas de banho (banheiros) de palha. Até tomar banho era diferente, pois era o famoso “banho de canequinha” atrás da casa.
Nos dias seguintes tivemos cultos muito alegres que duravam cerca de quatro ou cinco horas, com grupos corais, danças, pregação e momentos de oração.Tenho certeza que se fossem cultos para brasileiros estariam todos incomodados com a demora e com o frio...mas o povo moçambicano curtia cada momento e só saíam de seus lugares para dançar.
Começamos a viagem no dia 22, em uma quarta-feira. Estávamos preparados para sair as cinco da manhã, mas de forma inexplicável, a gasolina de toda a cidade se esgotou, e por isso tivemos que buscar em uma cidade vizinha o que acabou atrasando um pouco nossa saída. Mas isso não foi o mais difícil, pois o mais complicado foi colocar mais de vinte pessoas e muita bagagem em um chapa (van) com capacidade para quinze pessoas apenas. Fomos apertando, apertando, e quando eu pensava que não caberia mais ninguém, eles ainda davam um jeitinho de entrar mais um. Foi engraçado, mas nada confortável...kkk
A viagem foi longa, com poucas paradas para pelo menos nos esticarmos às vezes. Pelo caminho, não havia restaurantes, lanchonetes, nada disso que os brasileiros estão acostumados na estrada, mas havia apenas vendedores ambulantes, que vendiam bananas, ovos cozidos, pães, e refrigerante. Sem falar na casa de banho (banheiro), que era apenas um cercadinho de palha e as necessidades eram feitas na própria terra.
Mas a viagem começou a se estender e quando percebemos já era noite. Éramos em três carros, mas justamente no momento que entramos em uma estrada de areia, nos perdemos de um deles. Continuamos pela estrada com a esperança de estarmos no caminho certo, mas como o carro estava muito pesado por estar suportando mais de vinte pessoas e todas as malas, acabamos atolando na areia, e nos perdemos do outro carro também que seguiu a viagem sem perceber que estávamos atolados.
Depois de termos todos descido do carro, afim de aliviar o peso, fiquei sabendo que aquela era uma região próxima de uma reserva e portanto com muitos leões. Ahhh, aquilo me aliviou muito, sabe. Saber que estava com o carro atolado, no meio do mato, sem nenhuma luz por perto e sabendo que pessoas já tinham sido atacadas por leões naquele trecho....muito aliviante..kkkk...
Mas nada nos aconteceu!!!! Graças a Deus conseguimos voltar para a estrada asfaltada e continuar a viagem por outro caminho. Depois de quase quinze horas de viagem chegamos a Marromeu uma pequena cidadezinha.
E o que mais me chamou a atenção nisso tudo foi a gratidão do povo moçambicano, pois em todo momento, mesmo apertados, com fome, frio, eles só cantavam e brincavam com a situação, mas nunca reclamavam de nada.
Chegamos bem tarde, e logo fomos encaminhados para a casa que iríamos ficar hospedados. Ficamos em uma pequena casa de pedra e cimento, mas muito confortável, tirando o frio que estávamos sentindo aqueles dias. Tivemos que nos habituar com a falta de energia elétrica, e as casas de banho (banheiros) de palha. Até tomar banho era diferente, pois era o famoso “banho de canequinha” atrás da casa.
Nos dias seguintes tivemos cultos muito alegres que duravam cerca de quatro ou cinco horas, com grupos corais, danças, pregação e momentos de oração.Tenho certeza que se fossem cultos para brasileiros estariam todos incomodados com a demora e com o frio...mas o povo moçambicano curtia cada momento e só saíam de seus lugares para dançar.
Fiquei surpresa ao saber que a maioria dos pastores das igrejas desta região foram discípulos diretos da Valnice Milhomens, a primeira missionária que esteve trabalhando em Moçambique e inclusive foi a única missionária a permanecer no país nos tempos da guerra, há anos atrás.
Aqui as comidas eram bem típicas. No mata bicho (café da manhã) comemos pães com maçamba (verduras) e mandioca com manteiga e chá. No almoço e jantar comíamos arroz, carne de cabrito, xima (creme feito com farinha de milho), feijão com coco, creme de couve com amendoim e outras coisas.
Em um dos dias tivemos a oportunidade de conhecer a Vila de Marromeu, que há anos atrás foi muito próspera pela produção de açúcar iniciada pelos portugueses. Até hoje encontramos também vestígios da guerra que ocorreu lá pelos tanques de guerra e aviões abandonados.
Outra coisa é o famoso Rio Zambeze, que passa por lá. Em um dos dias acordamos bem cedo para conhecer o dia a dia das mulheres que moram nesta região e todos os dias pela manhã vão ao rio para se banhar, lavar roupas e panelas. Fomos para ajudar a lavar as panelas, mas não resistimos e acabamos tomando banho ali mesmo, para evitar o banho de canequinha. Mas nem imaginávamos que aquele rio é famoso pelos muitos crocodilos, e que inclusive há alguns meses atrás a esposa de um pastor e seu filhinho haviam sido mortos por um destes crocodilos. Que perigo...kkk
No último dia da conferência eu levei uma palavra aos jovens, sobre “Jovens com iniciativa e criatividade”. Foi uma experiência ótima, fiz algumas dinâmicas e conversamos sobre Davi, um jovem que ao ansiar ser Rei teve iniciativa e atitudes ousadas, que o levaram a chegar ao trono.
Mas os dias passaram muito rápido, e logo chegamos no domingo. Para conhecer um outro lado da viagem resolvi voltar de comboio (trem). Para pegar um bom lugar tivemos que chegar as cinco da manhã, e mesmo assim eu quase fui esmagada pela multidão que tentava entrar ao mesmo tempo. O comboio só foi começar a andar depois de cinco horas parados, esperando. Já começamos bem né...kkk
Mas enfim, depois de começar a viagem foi só palhaçada. Era galo cantando, gente trocando fralda de bebê do meu lado, criança brigando, e tudo mais que vocês possam imaginar.
Aqui as comidas eram bem típicas. No mata bicho (café da manhã) comemos pães com maçamba (verduras) e mandioca com manteiga e chá. No almoço e jantar comíamos arroz, carne de cabrito, xima (creme feito com farinha de milho), feijão com coco, creme de couve com amendoim e outras coisas.
Em um dos dias tivemos a oportunidade de conhecer a Vila de Marromeu, que há anos atrás foi muito próspera pela produção de açúcar iniciada pelos portugueses. Até hoje encontramos também vestígios da guerra que ocorreu lá pelos tanques de guerra e aviões abandonados.
Outra coisa é o famoso Rio Zambeze, que passa por lá. Em um dos dias acordamos bem cedo para conhecer o dia a dia das mulheres que moram nesta região e todos os dias pela manhã vão ao rio para se banhar, lavar roupas e panelas. Fomos para ajudar a lavar as panelas, mas não resistimos e acabamos tomando banho ali mesmo, para evitar o banho de canequinha. Mas nem imaginávamos que aquele rio é famoso pelos muitos crocodilos, e que inclusive há alguns meses atrás a esposa de um pastor e seu filhinho haviam sido mortos por um destes crocodilos. Que perigo...kkk
No último dia da conferência eu levei uma palavra aos jovens, sobre “Jovens com iniciativa e criatividade”. Foi uma experiência ótima, fiz algumas dinâmicas e conversamos sobre Davi, um jovem que ao ansiar ser Rei teve iniciativa e atitudes ousadas, que o levaram a chegar ao trono.
Mas os dias passaram muito rápido, e logo chegamos no domingo. Para conhecer um outro lado da viagem resolvi voltar de comboio (trem). Para pegar um bom lugar tivemos que chegar as cinco da manhã, e mesmo assim eu quase fui esmagada pela multidão que tentava entrar ao mesmo tempo. O comboio só foi começar a andar depois de cinco horas parados, esperando. Já começamos bem né...kkk
Mas enfim, depois de começar a viagem foi só palhaçada. Era galo cantando, gente trocando fralda de bebê do meu lado, criança brigando, e tudo mais que vocês possam imaginar.
Adorei cada momento desta viagem, e amei conhecer pessoas tão especiais!!!
Beijo pra todos e até a próxima...
quinta-feira, 16 de julho de 2009
...E os anjos o serviram...

Tenho procurado algo para escrever esses dias, e por mais que estejam acontecendo tantas coisas aqui, me via sem inspiração. E a única coisa que vinha em minha mente era uma palavra que recebi de Deus alguns meses antes de vir pra Moçambique.
“Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto... e, eis que chegaram os anjos, e o serviam.” MT 4.1-11
É incrível pensar que após quarenta dias no deserto, depois de passar fome, sede, frio e tudo mais, os anjos o serviram. Essa é uma parte da história que eu nunca havia parado pra analisar, e sem dúvidas a parte mais lida!!
E conforme os meses foram se passando, comecei a entender melhor ainda o que Deus queria me mostrar. Desde que algumas situações começaram a surgir em minha caminhada passei a entender o que é estar no deserto. Não é fácil, mas com certeza é necessário.
No início do mês uma das meninas da minha equipe ficou muito doente. Infelizmente teve que voltar para o Brasil, acompanhada de outra, já que não poderia ir sozinha.
De cinco passamos para três, e eu nem preciso dizer o quanto isso foi difícil pra nós, né.
Fora isso, outras coisinhas como a saudade da família começaram a me atingir, e quando eu pensei que não agüentaria mais....vieram os anjos!!!!
Fiquei encantada, pois no dia que estava mais triste recebi uma visita muito especial em casa. Alguns jovens daqui que estão nos dando muito apoio. E em uma simples visita, com muitas risadas, bolo e refrigerante, percebi claramente que os anjos me serviam.
É maravilhoso viver por Ele!!!
Ahhh, não posso deixar de contar sobre a visita do hospital. As aulas de capelania terminaram e assim pudemos iniciar as visitas. Foi muito bom!!!
Nos dividimos em duas equipes para visitar todos os quartos. No quarto que eu fui, haviam cerca de doze crianças e por isso acabei ficando apenas neste, pra poder dar atenção a todos. Oramos, brincamos, cantamos, e ouvimos muitos desabafos. Foi ótimo poder fazer parte da história de pessoas que precisam tanto.
Havia uma senhora que estava com o netinho, já que ele não tinha pai e nem mãe. Enquanto conversávamos, ela pediu meu número, e ontem já me ligou dizendo que estão em casa e querem uma visita lá. Vai ser ótimo poder acompanhá-los mais de perto.
“Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto... e, eis que chegaram os anjos, e o serviam.” MT 4.1-11
É incrível pensar que após quarenta dias no deserto, depois de passar fome, sede, frio e tudo mais, os anjos o serviram. Essa é uma parte da história que eu nunca havia parado pra analisar, e sem dúvidas a parte mais lida!!
E conforme os meses foram se passando, comecei a entender melhor ainda o que Deus queria me mostrar. Desde que algumas situações começaram a surgir em minha caminhada passei a entender o que é estar no deserto. Não é fácil, mas com certeza é necessário.
No início do mês uma das meninas da minha equipe ficou muito doente. Infelizmente teve que voltar para o Brasil, acompanhada de outra, já que não poderia ir sozinha.
De cinco passamos para três, e eu nem preciso dizer o quanto isso foi difícil pra nós, né.
Fora isso, outras coisinhas como a saudade da família começaram a me atingir, e quando eu pensei que não agüentaria mais....vieram os anjos!!!!
Fiquei encantada, pois no dia que estava mais triste recebi uma visita muito especial em casa. Alguns jovens daqui que estão nos dando muito apoio. E em uma simples visita, com muitas risadas, bolo e refrigerante, percebi claramente que os anjos me serviam.
É maravilhoso viver por Ele!!!
Ahhh, não posso deixar de contar sobre a visita do hospital. As aulas de capelania terminaram e assim pudemos iniciar as visitas. Foi muito bom!!!
Nos dividimos em duas equipes para visitar todos os quartos. No quarto que eu fui, haviam cerca de doze crianças e por isso acabei ficando apenas neste, pra poder dar atenção a todos. Oramos, brincamos, cantamos, e ouvimos muitos desabafos. Foi ótimo poder fazer parte da história de pessoas que precisam tanto.
Havia uma senhora que estava com o netinho, já que ele não tinha pai e nem mãe. Enquanto conversávamos, ela pediu meu número, e ontem já me ligou dizendo que estão em casa e querem uma visita lá. Vai ser ótimo poder acompanhá-los mais de perto.
Por enquanto é só...
Saudade de todos!! Amo vocês!!!
sábado, 4 de julho de 2009
ÁFRICA ???
Por essa eu não esperava: sentir frio na África!!! Nesta fase do ano, o clima seco e quente dá lugar a um clima frio e úmido que vai até agosto. Pois é, acredite se quiser, aqui faz frio.
Antes de vir pra cá, eu pensava que encontraria um calor de mais de 40 graus, como me diziam, mas vejo que não é bem assim, e com isso estive refletindo um pouco sobre a visão que temos da África. E obedecendo ao pedido de muitos daqui, quero passar a imagem verdadeira de Moçambique.
Antes de vir pra cá, eu pensava que encontraria um calor de mais de 40 graus, como me diziam, mas vejo que não é bem assim, e com isso estive refletindo um pouco sobre a visão que temos da África. E obedecendo ao pedido de muitos daqui, quero passar a imagem verdadeira de Moçambique.
Quando pensamos em África, pensamos em animais selvagens, pessoas passando fome, muito calor e pobreza, pois é assim que a mídia nos mostra. Mas quando pisamos neste continente percebemos que isso não é verdade.
Sei que o que as pessoas gostam de ouvir é que estou vendo tudo isso, mas não posso ser mais uma pessoa que vai passar adiante essa visão distorcida daqui.
Tenho conversado muito com os jovens de Beira a respeito disso, e eles diziam o quanto ficam tristes com a atitude das pessoas que vendem uma imagem falsa da África.
Segundo eles, muitas pessoas quando vem para Moçambique trazem bolsas cheias de comida, para distribuir para o povo. Como se aqui não houvesse comida. Isso sem falar na quantidade de pessoas que nos perguntam se aqui temos que comer cabeça de macaco, ou se temos coisas comuns como telefone, Internet, e banheiro.
Bom, o motivo pelo qual estou escrevendo sobre isso, é para que tomemos cuidado ao ler uma revista ou assistir televisão, para que não aceitemos qualquer informação sobre este povo sem constatar a veracidade de tudo isso.
Moçambique é sim um país sofrido, pois faz apenas 17 anos que saiu de um período de guerra, mas é também um dos países pós-guerra que se recuperou mais rápido.
Não seja mais um a destruir a imagem desse continente...Ore para que seja ainda mais próspero e abençoado!!
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Obrigada Senhor!!!

Neste sábado, dia 27 de Junho, completei mais um ano de vida. Pra mim, passar esse dia tão especial, em uma outra cultura, foi a realização de um sonho!!! Sempre sonhei em um dia visitar a África, conhecer novos costumes, mas nunca pensei que iria presenciar isso tão cedo.
E por isso estive refletindo em todas as bênçãos que tenho recebido nestes 22 anos de vida. Ao começar por minha família que sempre foram exemplo de vida pra mim. Tudo o que sempre me ensinaram foi viver uma vida que agrade não a homens, mas somente a Deus.
Infelizmente eles não puderam estar ao meu lado neste dia, mas sei o quanto desejavam estar. E foi pensando nisso que resolvi dedicar esse texto somente a eles, e agradecer por todo amor, e carinho que me deram até aqui.
Tive um dia lindo com minhas colegas que hoje estão sendo como uma família pra mim, e sem falar no carinho que recebi de todos daqui de Moçambique.
Sou grata ao Senhor por tudo, pois sei que somente por seu amor e graça que hoje estou aqui!!!
Abraço a todos!!!
E por isso estive refletindo em todas as bênçãos que tenho recebido nestes 22 anos de vida. Ao começar por minha família que sempre foram exemplo de vida pra mim. Tudo o que sempre me ensinaram foi viver uma vida que agrade não a homens, mas somente a Deus.
Infelizmente eles não puderam estar ao meu lado neste dia, mas sei o quanto desejavam estar. E foi pensando nisso que resolvi dedicar esse texto somente a eles, e agradecer por todo amor, e carinho que me deram até aqui.
Tive um dia lindo com minhas colegas que hoje estão sendo como uma família pra mim, e sem falar no carinho que recebi de todos daqui de Moçambique.
Sou grata ao Senhor por tudo, pois sei que somente por seu amor e graça que hoje estou aqui!!!
Abraço a todos!!!
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Visitas em Dondo e Buzi
Olá....tive uma semana bem cheia e queria compartilhar um pouco com vocês. Iniciei nessa quinta feira as aulas de Capelania hospitalar, e fiquei muito contente com a quantidade de pessoas que estiveram lá. Foi muito muito interessante, discutimos um pouco sobre a necessidade de visitarmos os enfermos, e como eles se sentem em estar dentro de um hospital, rodeados de estranhos e longe de seus familiares e rotina. Teremos mais algumas aulas antes de iniciar as visitas, e a expectativa para o trabalho só tem aumentado.
No final de semana fizemos duas viagens. No sábado pela manhã fomos com seis mulheres daqui para Dondo, uma cidade bem próxima para participar de um culto de mulheres. O culto estava marcado para as nove da manha, mas só começou as onze da manhã, pois como eles mesmo dizem, atrazo é algo natural para o moçambicano. Enquanto esperávamos, fiquei aprendendo sobre como usar a capulana, que é um acessório indispensável para as mulheres daqui. Elas nào saem de casa sem estar usando uma capulana na cintura e uma na cabeça. E nós, como missionárias nesse país, temos que saber usar.
Foi um culto muito engraçado, com danças diferentes de todas que eu já tinha visto por aqui. Falamos sobre casamento, e depois serviran-nos "marreu''. Uma bebida típica daqui, feita com farinha de mandioca fermentada e leite, que por sinal está presente na maioria das festas. Mas tenho que assumir que não gostei muito!!!kkk
No dia seguinte fizemos uma viagem um pouco mais longa. Saímos daqui cerca de cinco da manhã, e viajamos por quatro horas, sendo que a maior parte da estrada era de terra. Enfim, chegamos em Buzi, uma pequena cidade. Fomos para conhecer a igreja que está sendo implantada alí. Tivemos um tempo muito especial com eles, pois todos se sentem muito honrados ao receber visitantes. Após o culto nos serviram um almoço muuito bom!! Creio que uma das melhores comidas que já experimentei. Frango com caldo de coco. Mas o que mais me chamou a atençao foi que antes de comermos, uma das mulheres lavou as mãos de cada um de nós, com um jarro de água e uma bacia. Me lembrei muito de Jesus nesse momento, quendo lavava os pés de seus discípulos.
Tenho vivido situações maravilhosas aqui, e agradeço a Deus por cada minuto de minha vida neste lugar. Alguns me perguntam o propósito de deixar tudo para um trabalho como este, mas se formos ver a vida de Jesus, saberemos que isso não é nada, diante de todo o seu Sacrifício por nós.
Um abraço a todos!!!
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